Chefes da inteligência de EUA e Rússia conversam sobre armas nucleares e presos

Os chefes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Rússia se reuniram na Turquia nesta segunda-feira (14) em um raro encontro cara a cara para discutir as ameaças nucleares russas na Ucrânia e os americanos detidos por ordem do Kremlin.

William Burns, chefe da CIA e ex-embaixador americano em Moscou, deveria transmitir ao seu colega, Serguei Naryshkin, uma mensagem sobre "as consequências do uso de armas nucleares pela Rússia (na Ucrânia) e os riscos de uma escalada para a estabilidade estratégica", declarou um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Burns "não discutirá um acordo" para a guerra na Ucrânia, insistiu a mesma fonte, acrescentando que os ucranianos foram previamente informados sobre a reunião.

Também estava previsto discutir o caso de americanos detidos "injustamente" na Rússia, como a jogadora de basquete Brittney Griner e o ex-militar Paul Whelan.

"Confirmamos que as negociações russo-americanas estão ocorrendo em Ancara hoje" sobre o assunto, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo agências de notícias russas.

Ele enfatizou que é uma "iniciativa do lado americano" e se recusou a dar detalhes.

A presidência turca confirmou que a Turquia sediou esta reunião em um momento-chave da guerra da Rússia contra a Ucrânia, após a retirada das forças russas da cidade de Kherson na semana passada.

São as negociações diretas de mais alto nível entre autoridades de ambos os países desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

- Oferta de troca -

O presidente russo, Vladimir Putin, mencionou armas nucleares em um discurso televisionado em 21 de setembro, no qual disse estar pronto para usar "todos os meios" de seu arsenal, se necessário, contra o Ocidente, que apoia a Ucrânia com armamentos.

Desde então, os Estados Unidos e seus aliados alertaram pública e privadamente contra essa ameaça de Moscou.

Por exemplo, o secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, advertiu o seu colega russo, Serguei Shoigu, durante uma conversa telefônica.

Apesar da guerra, as autoridades de Washington insistem que os Estados Unidos e a Rússia mantêm "canais de comunicação" desde o início da ofensiva russa em fevereiro, inclusive por meio da embaixada dos EUA em Moscou para transmitir mensagens oficiais.

O presidente americano, Joe Biden, afirmou na quarta-feira passada que espera que seu colega russo esteja mais disposto a falar sobre uma troca de prisioneiros.

"Espero que agora que as eleições acabaram, o Sr. Putin possa falar conosco e esteja disposto a falar mais seriamente sobre a troca de prisioneiros", declarou Biden em entrevista coletiva no dia seguinte às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

A jogadora de basquete Brittney Griner, presa em fevereiro em um aeroporto de Moscou por posse de um vaporizador contendo maconha líquida, foi condenada a nove anos de prisão por "tráfico de drogas" e recentemente transferida para uma prisão não identificada.

Washington disse várias vezes que fez uma "oferta significativa" para a libertação da atleta e do ex-militar Paul Whelan, que até agora não recebeu resposta.

Segundo fontes diplomáticas russas, uma possível troca seria de Brittney Griner pelo traficante de armas russo Viktor Bout, que cumpre pena de 25 anos de prisão nos Estados Unidos.

Os russos e os americanos já realizaram várias trocas de prisioneiros no passado.

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