Chegada de Bolsonaro ao poder acelera queda em índice de liberdade de expressão; Brasil só não é pior que a Venezuela

Redação Notícias
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Brazilian President Jair Bolsonaro points to the press as he refers to his recovery from COVID-19 and his past as an athlete, during a ceremony coined "Brazil winning COVID-19" at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil, Monday, Aug. 24, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Relatório analisa a situação em 161 países (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

A chegada de Jair Bolsonaro (sem partido) ao poder, em 2019, acelerou a queda no indicador de liberdade de expressão no Brasil, segundo relatório publicado nesta segunda-feira (19) pela organização internacional de direitos humanos Artigo 19.

Segundo documento, que analisa a situação em 161 países, a queda “se acelerou com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, no início de 2019, com a perda de 18 pontos em apenas um ano”, diz trecho em destaque no relatório.

A queda do Brasil foi a mais expressiva em todas as comparações realizadas: o indicador caiu 18 pontos em um ano (de 2018 para 2019), recuou 39 pontos em cinco anos (de 2014 para 2019) e 43 pontos em 10 anos (de 2009 para 2019).

Com 46 pontos em um total de 100, o Brasil ocupa a 94ª posição do ranking de 161 países, atrás de todos as nações da América do Sul, com exceção da Venezuela.

Amazônia

O documento, que tem mais de 150 páginas, dedica um capítulo inteiro a analisar a situação do Brasil, citando defensores do meio ambiente e indígenas como grupos ameaçados em termos de liberdade de expressão no país.

“A exploração [de recursos naturais] tornou-se uma parte fundamental do modelo econômico do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Quem se opõe a ele é tachado de antipatriótico e anti-desenvolvimento”, diz trecho.

O relatório destaca que durante a gestão Bolsonaro houve um relaxamento na aplicação de leis ambientais e um “grande salto no desmatamento da Amazônia”.

Efeitos da pandemia

O relatório ainda chama atenção para os efeitos da pandemia do coronavírus na propagação de desinformação. Entre os destaques estão como exemplo publicações de Bolsonaro em suas redes sociais que foram deletadas pelas próprias plataformas por violarem regras, trazendo informações falsas.

“A pandemia de 2020 fez do Brasil um exemplo extremo de como líderes autoritários e restrições à liberdade de expressão, combinados com desinformação, representam um alto risco para a saúde pública”, está escrito no relatório.

A liberdade de expressão atingiu seu menor patamar no mundo todo em 2019. Cerca de 3,9 bilhões de pessoas, o que corresponde a 51% da população mundial, vivem em países onde a garantia deste direito está em crise. De acordo com a ONG, a queda foi puxada por restrições crescentes em países com grandes populações, como a China, Índia, Turquia, Rússia, Bangladesh e Irã, e por retrocessos e quedas alarmantes em países como o Brasil, Estados Unidos, Hungria e Tanzânia.