Chegada do outono acende alerta para possível aumento nos casos de Covid-19

Thaís Sousa
Pessoas já transitam pela cidade de máscara e luva

RIO — O outono chega nesta quinta-feira, e acende um alerta para a possibilidade de proliferação de Covid-19 no país. Estudos preliminares apontam que o coronavírus se movimenta melhor no clima frio e seco, como o outono tende a ser em grande parte do Brasil. A região Centro-sul, que hoje já concentra o maior número de casos de contaminação, liderado por São Paulo e Rio de Janeiro, se apresenta como a mais vulnerável ao agravamento da pandemia.

De acordo com o climatologista Diego Jatobá, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2020 não há previsão de fenômenos em larga escala, como "El niño" e "La niña". Sendo assim, o outono deve seguir o padrão climatológico esperado para a estação, com chuvas no fim de março e tempo cada vez mais seco de abril e junho. As regiões Norte e Nordeste devem apresentar temperaturas elevadas e maior umidade. Centro-Oeste, Sudeste e Sul, no entanto, devem ter queda de temperatura e tempo seco, condições ideais para o vírus.

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Segundo a infectologista Tânia Vergara, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, embora a doença ainda seja pouco conhecida pela comunidade científica, já existem trabalhos que mostram que o desempenho do coronavírus é melhor no clima frio e seco.

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— Quando mais frio e mais seco, mais o vírus fica vivo. O Hemisfério Norte está saindo do inverno, nós estamos entrando — diz.

Ainda segundo Tânia, o coronavírus segue o padrão da maioria das doenças respiratórias, que se disseminam mais no outono e no inverno. Nessas épocas, os mecanismos de defesa do corpo estão enfraquecidos e existe maior circulação de vírus e resfriados. Com o Covid-19 não seria diferente. Por isso, a especialista recomenda que a população mantenha os cuidados.

— No frio, é natural que as pessoas fiquem juntas, em ambientes fechados e com as janelas fechadas. Se possível, elas devem deixar as janelas abertas e manter a circulação de ar — aconselha.

Segundo informações do Inpe, o Centro-sul deve se enquadrar no padrão de clima frio e seco que é mais perigoso para a proliferação do coronavírus. Regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul podem se preparar para noites mais frias e clima ameno ao longo do dia. De abril a junho, a média de temperatura deve variar entre 10°C e 22°C, e pouca precipitação. Já o Norte e o Nordeste terão temperaturas mais elevadas, com máximas na casa dos 30°C e mínimas acima dos 20°C. A umidade será bem maior.