Cheia histórica do Rio Negro arrasta lixo para igarapés de Manaus

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A cheia histórica do Rio Negro, em Manaus, tem inundado de lixo a capital do Amazonas. O nível das águas no município alcançou neste domingo (30) a marca de 29,97 metros e igualou o recorde de 2012. Esse volume tem ajudado a arrastar pelos igarapés toneladas de resíduos sólidos, como garrafas PET e embalagens descartáveis, que se acumulam e ficam presos nas cabeceiras de pontes e encostas.

Dados da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) indicam que, somente neste ano, mais de 1 mil toneladas de lixo já foram retiradas das águas do Rio Negro e de igarapés em Manaus. Por dia, o órgão tem recolhido cerca de 27 toneladas de dejetos, sobretudo dos igarapés que passam por áreas habitadas por pessoas pobres.

Com o grande volume de chuvas na região, a situação fica ainda mais grave. O lixo descartado incorretamente nos leitos dos igarapés, sem força para chegar ao Rio Negro, acaba voltando para a população. Quem explica é Viviane Dutra, subcoordenadora setorial de projetos sociais da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), que pertence ao governo do estado do Amazonas.

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— Quando a gente tem qualquer movimento, seja de chuvas ou de cheias, todo o lixo que está acumulado e foi descartado incorretamente vai para onde o rio corre — explica. — No pedacinho em que o igarapé se aproxima do Rio Negro, há o acúmulo de lixo trazido na bacia que desenboca ali. Só que o rio é mais denso, então o lixo se acumula naquela localidade — completa Viviane.

Os igarapés, riachos conectados ao Rio Negro, fazem parte do cenário manauara e atravessam toda a cidade. Somente o Igarapé do 40 passa por 15 bairros da capital, grande parte deles localizados no fundo de vales. O trecho entre as avenidas Silves e Maués é um dos mais afetados.

Nesse local é possível flagrar o lixo batendo na porta das casas e palafitas, onde vivem cerca de 1000 famílias, distribuídas às margens de um quilômetro de igarapé, de acordo com a subcoordenadora da UGPE. O número é uma mostra do adensamento populacional que existe na região, que envolve os bairros de Betânia, Cachoeirinha, Morro da Liberdade e Raiz.

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De acordo com Viviane, o trecho entre as avenidas Silves e Maués é composto por grupos familiares que se estabeleceram na zona central da cidade para ter acesso aos meios de trabalho formal ou informal.

— São diversas mulheres chefes de família, com índice de escolaridade baixo e renda advinda de programas sociais e subemprego —, afirma. Ela reforça que, durante a pandemia da Covid-19, a situação ficou ainda pior por conta do desemprego.

A Semulsp informou que, por meio da Comissão Especial de Divulgação da Política de Limpeza Pública (Cedolp), “vem realizando campanhas e ações de conscientização na cidade, por meio de redes sociais e ampla mídia, nos bairros e também de porta em porta”. Para o órgão municipal, porém, falta colaboração dos moradores. “Nada disto tem resultado se a população não se conscientizar e fazer o descarte correto dos seus resíduos”.

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