Cheia de projetos, Angela Ro Ro prepara biografia e avisa: 'Já falaram o diabo da minha vida e chegou a minha vez'

Uma das marcas registradas dos shows de Angela Ro Ro sempre foi, entre um sucesso e outro, divertir a plateia com suas histórias, repletas de humor e acidez - não será diferente quando subir ao palco às 19h30 deste sábado no Teatro Rival Refit, no Centro do Rio. Muitas delas (preparem-se!) estarão na biografia que a cantora pretende lançar neste ano. Na flor de seus 73 anos, esse é apenas um dos projetos da estrela da MPB para 2023.

"Já falaram o diabo da minha vida e agora chegou a minha vez. As pessoas vão achar que é ficção", avisa Angela.

Angela Ro Ro também quer contar no livro uma parte de sua vida que vai além das manchetes sensacionalistas e dos escândalos (por que não?) que permearam sua longa carreira. Histórias como as que viveu na infância solitária no apartamento em que morava com os pais em Ipanema, quando achava as outras crianças agressivas e preferia ficar trancada no seu universo particular. "Numa das poucas vezes em que me arrisquei sair de casa me arrebentaram toda. Eu era alvo de bullying antes de o termo existir", lembra.

Nessa época, e depois mais crescida, a sexualidade nunca foi uma questão dentro de casa. A cantora tinha o apoio incondicional dos pais: "Eles nunca me faltaram. Se meu pai me aceitava e minha mãe me amava perdidamente, nada podia me afetar nesse sentido". Foi assim quando apresentou a primeira namorada à família, ainda na adolescência. "Minha mãe acabou ficando de mau humor, mas não por ser uma mulher. Ela implicou porque achou a garota muito cheia de si e dizia que eu podia encontrar uma mais bonita. Minha mãe sabia causar desconforto", lembra Angela, aos risos.

A cantora segue se divertindo ao lembrar o tempo em que tentou namorar meninos: "Eu tinha 14 anos e marquei de ir ao cinema com ele. Enquanto eu me aprontava, ele começou a maquiar a minha mãe e foi maquiado por ela também. Quando vi, o garoto estava com cílios enormes. Aí pensei: 'eu desisto'. Ficamos amigos depois".

Outro projeto de Angela Ro Ro é lançar um novo álbum com músicas inéditas. A autora de clássicos como "Amor meu grande amor" e "Tola foi você" nunca parou de compor. Mas, apesar da indignação que mostra nas redes sociais com os recentes acontecimentos políticos no país, o amor (e suas dores) continua sendo sua principal fonte de inspiração: "Meu lado poético quase sempre fala mais alto, mais que o sociopolítico. Não tenho o talento do Gilberto Gil para isso, que joga uma purpurina mágica nesses assuntos. Quando vou escrever, minha cabeça sempre cai na musa, no amor romântico".

A recorrente inspiração desapareceu quando a cantora se viu com dificuldades financeiras durante a pandemia e usou as redes sociais para fazer um apelo a amigos e fãs. Às críticas que recebeu na ocasião, Angela respondeu como é de seu costume:

"Se quiserem me xingar, podem me xingar, já estou acostumada. Eu precisava pagar dois funcionários que me ajudam na casa onde moro em Saquarema, uma delas precisava fazer uma cirurgia. O dinheiro não era para mim. Levo uma vida simples, modesta. Não levo uma vida de luxo. Gasto com meu plano de saúde, com meus remédios e vitaminas, com transporte e só saio de casa para ver algum amigo em cena. Usa as mesmas roupas há muitos anos".

Para a cantora, artista não tem aposentadoria. Angela Ro Ro, que não construiu uma patrimônio ao longo da vida, quer continuar trabalhando. Cheia de planos e energia, ninguém dúvida que será diferente: "Sou a rainha da preguiça. Preciso vencê-la para dar andamento nos meus projetos. Às vezes, tenho a sensação de que ainda tenho mais mil anos pela frente".