Chico Anysio, Gugu Liberato... Relembre as disputas mais problemáticas pelas heranças de famosos

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Rose Miriam foi à Justiça para ser reconhecida como uma das herdeiras da fortuna do apresentador, que morreu em novembro de 2019

Além da fama e popularidade conquistadas por artistas ao longo da carreira, muitos deles também acumularam grande fortuna. No entanto, ter grandes riquezas não é sinônimo de paz e tranquilidade no universo familiar. Quando um parente famoso vem a falecer, é comum que as disputas pelas posses materiais sejam complexas e cheias de reviravoltas. Cabe à justiça, então, julgar entre a razão e a emoção num momento tão complicado como esse. Conheça quatro histórias de disputas problemáticas envolvendo a heranças milionárias dos famosos:

As reviravoltas do caso Gugu Liberato



O apresentador faleceu em novembro do ano passado, mas há quase quatro meses após a sua morte a família de Gugu e sua ex-companheira, Rose Miriam di Matteo, travam uma disputa intensa pela herança avaliada em R$ 1 bilhão. A principal razão para os atritos é o testamento feito por ele em 2011 e lido poucas horas depois do o enterro, em 29 de novembro.

No texto original, o patrimônio de Gugu é dividido entre os três filhos e os cinco sobrinhos, sendo 75% para os filhos e 25% para os sobrinhos. Excluída do testamento, Rose havia assinado o documento na época, cuja inventariante é Aparecida Liberato, irmã do apresentador. No entanto, depois do velório ela decidiu acionar advogados para lutar por uma fatia da herança.

Os dois nunca foram casados, mas a defesa sustenta que se tratava de um relacionamento "duradouro, contínuo e público", já que Rose mantinha um relacionamento com ele há 19 anos.

A defesa de Miriam anexou ao processo cartas de amor do casal, 75 fotos que representam a união dos dois e até desenhos produzidos pelos filhos do casal, em 2011, nos quais todos são representados como uma família. Tudo isso para buscar o reconhecimento de união estável com o apresentador.

No meio do embate entre Rose e os filhos do casal, o chef de cozinha Thiago Salvatico decidiu entrar na Justiça para participar do processo do inventário do apresentador. Thiago é apontado como companheiro de Gugu Liberato por pessoas próximas à família, alegando que os dois mantinham uma relação há oito anos. A família do apresentador, no entanto, não confirma a informação. O caso de Thiago corre em sigilo, mas toda a disputa envolvendo os filhos de Gugu, Rose e Thiago ainda vai dar o que falar.

O caso do escritor e humorista Chico Anysio

 

Após sete anos da morte do Chico Anysio, o conflito pela herança do humorista continua causando transtornos entre os envolvidos na disputa pelo patrimônio. Morto em 23 de março de 2012, Chico Anysio deixou bens para sete dos seus oito filhos e para a viúva Malga di Paula.

No testamento, feito em 2011, ela ficou com os bens materiais, e os filhos com o patrimônio intelectual. Só que o testamento do ator foi anulado recentemente pela justiça, a pedido do filho Luiz Guilherme (conhecido pelo personagem Seu Boneco), excluído do documento.

Malga di Paula, de 48 anos, foi casada com Chico Anysio de 2001 a 2012. Porém, a viúva de Chico perdeu o cargo de administradora do patrimônio para Bruno Mazzeo na Justiça, já que o tribunal reconheceu negligência da empresária no gerenciamento financeiro.

Segundo o advogado e testamenteiro do humorista, a soma de todos os bens de Chico Anysio não passa de R$ 20 milhões. Entre os bens deixados por Chico estão um apartamento avaliado em R$ 5 milhões na Barra da Tijuca, três estabelecimentos no bairro, além das produções intelectuais como livros, personagens, roteiros e quadros.

Na última quarta-feira, dia 25, o ator e filho de Chico, Bruno Mazzeo, resolveu quebrar o silêncio sobre o testamento de Chico Anysio por meio de uma carta. O texto foi divulgado na íntegra pela coluna do Ancelmo Gois, no O Globo. Para Bruno,  “A Justiça não permitirá que inventariante removida do encargo eternamente fuja de oficiais de justiça que tentam citá-la para responder a ação de prestação de contas. (...) O Diário Oficial não tem reservado para Malgarete notícias boas. O recurso à mídia de celebridades não alterará a realidade estampada no diário oficial e não pressionará a Justiça, que prosseguirá a decidir, à luz dos fatos e do comportamento dos envolvidos, as questões referentes à sucessão de meu pai”.

A disputa pela herança do diretor Marcos Paulo

 

O ator e diretor global Marcos Paulo faleceu em 2012, mas acumulou em vida mais de R$ 25 milhões. Pouco antes de morrer, Marcos Paulo escreveu uma carta, garantindo que a ex-mulher, Antônia Fontenelle, deveria receber 60% de seus bens e investimentos. O documento, porém, não havia sido reconhecido em cartório. Após a morte do diretor, as filhas Vanessa, fruto do relacionamento com Tia Serina, Mariana, filha de Renata Sorrah, e Giulia Costa, fruto do relacionamento com a atriz Flávia Alessandra, entraram com uma ação pedindo o bloqueio das contas de Marco Paulo.

Foi solicitado, também, o impedimento da entrada de Antônia no imóvel de alto luxo onde ele residia, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Essa medida foi tomada, de acordo com Flávia e as filhas, para evitar que pessoas como a viúva Antonia entrassem e retirassem objeto do local. Em 2013, a viúva foi excluída da condição de herdeira e recorreu. Na época, Antonia desabafou com a imprensa dizendo que gostaria que as filhas respeitassem a vontade do diretor.

Antônia Fontenelle venceu nas duas primeiras do processo, uma em abril de 2014 e outra em maio de 2018. No entanto, as filhas do diretor recorreram da decisão judicial e entraram com um recurso. Depois de sete anos de batalha judicial, Fontenelle conseguiu o direito de receber sua parte na herança, em 2019. Ela e Marcos Paulo foram casados por seis anos.

A divisão da herança da atriz Marília Pêra

 

A atriz Marília Pêra fez um testamento antes de morrer dividindo sua herança para os três filhos, o marido e também para a irmã, a atriz e cantora Sandra Pêra, de 61 anos. A herança da atriz soma cerca de R$ 40 milhões de reais. Seguindo a vontade da artista, os três herdeiros Ricardo Graça Mello, Nina Morena e Esperança Motta, ficaram, cada um, com 25% da fortuna. Os outros 25% restantes foram divididos entre o marido, Bruno Faria, e a irmã.

No entanto, conforme nota dada na coluna de Ancelmo Gois, em O Globo, os herdeiros legais da atriz não entraram em acordo quanto à administração de bens, cujo responsável é Bruno. Em agosto de 2018, o economista gastou mais de R$ 300 mil em inventário de herança. O viúvo da atriz foi convidado a apresentar na justiça todas as contas referentes ao espólio da atriz.

Na época, o advogado de Bruno, Luciano Vianna de Araújo, informou que seu cliente apresentaria as contas, que antes eram mostradas mensalmente (depois, por decisão da Justiça, passou a ser semestral) no prazo estipulado. Mas ressalta que Bruno já gastou, com recursos próprios, R$ 328.186,50, relativos as despesas do espólio de Marília Pêra.

Segundo ele, Bruno ainda nada recebeu da herança da atriz. “Bruno de Faria jamais recebeu diretamente qualquer quantia devida ao espólio de Marília Pêra, sendo certo que, em dois meses apenas, o juízo determinou o levantamento de dinheiro para fazer jus às despesas futuras”.