Chico Chico lança primeiro disco solo e prepara música inédita deixada pela mãe Cássia Eller para celebrar o aniversário dela

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Na noite desta sexta, dia 5, quando subir ao palco do Circo Voador, Chico Chico vai apresentar seu primeiro álbum solo, intitulado “Pomares”, lançado na última sexta-feira. Mas a verdade mesmo é que a palavra “solo” não combina com ele. Chico nunca está sozinho, sempre traz uma grande e talentosa família junto. E não estamos falando apenas das mães dele, Cássia Eller e Maria Eugênia, já conhecidas do público. Mas de outros artistas de seu grande grupo de amizades, que vem desde 2009, da época em que formou suas primeiras bandas, ainda na escola.

— Não sinto como uma dívida. Por um acaso, tenho esse privilégio de ser filho de quem sou, de já ter esse espaço. Eu gostaria de poder usar isso da melhor forma possível, não só para mim. Não é nem meu esse espaço. Vem antes de mim — avalia o cantor de 28 anos.

Essas amizades o fizeram lançar até então trabalhos sempre junto a outros artistas: com a banda 13.7 e com os cantores Júlia Vargas, João Mantuano, Duda Brack e Fran.

Mesmo quando inclui sua família, ele busca falar da de todos. No disco, gravou com Maria Eugênia a canção “Mãe”. Na faixa, ele cita o nome dela e de Cássia, mas outras pessoas envolvidas no projeto também falam os nomes de suas mães, o que dá um tom ainda mais emocionante ao projeto. Foi justamente por essa ideia que ele viu que precisava gravar a canção.

— Fiz antes de sair de casa (em 2018). Minha mãe deu uma choradinha quando eu mostrei. É emocionante essa despedida. Eu a chamei para gravar, e ela topou, não teve dúvida. Então, a chamei para cantar no show, mas aí ela já não quis muito (risos) — conta ele, lembrando da gravação: — Bate um nervosinho pra cantar, né? Normal. É um momento de emoção. Também fiquei hipernervoso. Mas aí tomamos um vinhozinho, um doisinho (risos).

Essas outras “famílias’’ que Chico vai criando estão tão ligadas a ele que, quando foi indicado ao Grammy Latino por Melhor Canção em Língua Portuguesa, com “A cidade”, algumas pessoas foram incluídas por engano.

— Engraçado que erraram todos os créditos. Deve ter sido a primeira vez que o Grammy fez isso, e foi com a gente, o que é especial — brinca o artista.

Hoje, além de Fran, filho de Preta Gil e neto de Gilberto Gil, ele recebe no palco participações de todos que estão no álbum: Pedro Franco, Rodrigo Garcia, Juliana Linhares, Daíra, Kiko Horta, Sal Pessoa e Marcos Mesmo.

A vontade de estar com tanta gente do cenário independente já o fez recusar também propostas de grandes gravadoras do mercado.

— Recebi convites, mas sempre num lugar quase antimusical. Nunca me interessou. Queremos fazer parte (do mercado), mas não do jeito que é, a qualquer custo — explica.

Aos poucos, ele busca desassociar o seu trabalho do de sua mãe Cássia. Não por rejeição, claro. Mas para conquistar seu próprio espaço.

— Eu sou (filho da Cássia), não é esse o problema. A questão é não descolarem e acharem que tudo é uma coisa só. Querem que eu grave “Malandragem” (risos). Ainda assim, rolam (músicas dela). No show que fiz com a Duda (Brack), cantamos “Milagreiro”. Fez sentido com a gente, é uma música que Duda ama e canta pra caramba — justifica.

Filho prepara música inédita da mãe Cássia Eller

No dia 10 de dezembro deste ano, Cássia Eller completaria 59 anos. Para essa data, Chico prepara uma canção inédita que a mãe deixou apenas com a voz gravada. Ele ajuda na produção musical, que será assinada pelo violonista Rodrigo Garcia (que tocava com a cantora e hoje também trabalha com Chico) e pelo tecladista Pedro Fonseca. A canção se chama “Espírito do som” e será lançada em uma versão com banda e outra mais intimista. É uma composição da própria Cássia, que não costumava cantar suas músicas como intérprete. É um lado que Chico pretende mostrar de sua mãe, depois deste lançamento.

— Estamos querendo preparar um disco de Cássia compositora. Ainda não sei quantas faixas terá. É basicamente tudo de gravações caseiras que ela fazia. Mas isso é para depois deste single — conta ele, que se diz curioso para ouvir também a melodia que a mãe deixou com Marisa Monte e que a cantora revelou recentemente em entrevista ao programa “Minha canção”, da Rádio Eldorado: — Não fazia ideia disso. Muito maneiro. Queria ouvir, mas é uma música delas, né? Quando (Marisa) quiser soltar, vou estar louco para ouvir. Eu adoraria!

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