Chile aumenta vigilância em fronteira com Bolívia por fluxo maciço de migrantes

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Manifestantes queimam pertences de imigrantes venezuelanos durante protest contra a imigração irregular em Iquique, no Chile, em 25 de setembro de 2021 (AFP/MARTIN BERNETTI)

O Chile anunciou nesta quarta-feira (29) que fortalecerá a vigilância na fronteira com a Bolívia, por onde todos os dias entram irregularmente centenas de migrantes, a maioria venezuelanos.

"Vamos aumentar a segurança na fronteira, vamos aumentar os pontos de controle e de observação na fronteira. Para isso, estamos transferindo à fronteira, sobretudo ao setor de Colchane, um acampamento novo que poderá alojar algo em torno de 50 efetivos policiais", disse a jornalistas o ministro do Interior, Rodrigo Delgado.

Por Colchane, um povoado de 1.600 habitantes situado a 3.650 metros de altitude, entram todos os dias centenas de migrantes que atravessam a Cordilheira dos Andes, vindos da Bolívia e do deserto do Atacama, para chegar a cidades chilenas em busca de melhor qualidade de vida.

"O Exército também está enviando mais efetivos para poder aumentar e duplicar os pontos de controle na área", afirmou Delgado, que admitiu que o país vive "uma crise de migração irregular" na fronteira norte.

O ministro do Interior também detalhou que, além de Colchane, a crise afeta as cidades de Antofagasta e Iquique. Esta última foi palco de um protesto violento no sábado (25) contra imigrantes irregulares. Um grupo de manifestantes queimou pertences de venezuelanos que viviam nas ruas há cerca de um ano.

Após esse protesto, a ONU expressou "preocupação pela violência e xenofobia" contra os imigrantes no Chile, enquanto o presidente Sebastián Piñera condenou os fatos e prometeu que os mesmos não ficariam impunes.

O número de indivíduos que entraram no Chile por passagens clandestinas em 2021 chega a 23.673 até julho, quase 7 mil a mais que os registrados durante todo o ano passado, de acordo com um relatório da organização Serviço Jesuíta a Migrantes (SJM).

O ministro acrescentou que será aberto um "Centro de Estadia Sanitária Transitória modular para atender aos que cruzarem a fronteira".

Por sua vez, os migrantes que entrarem no centro deverão cumprir quarentena preventiva de cinco dias por causa da pandemia.

"Também haverá centros de acolhimento em conjunto com o Unicef e alojamentos em albergues", acrescentou Delgado.

Na semana passada, Delgado advertiu que o governo seguiria adiante "com o plano de expulsão" de imigrantes irregulares e que faria o despejo de qualquer local público que eles ocupassem ilegalmente.

Um dia antes do protesto, a polícia havia despejado centenas de imigrantes venezuelanos que viviam acampados há um ano em uma praça de Iquique.

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