Chile lamenta ausência da Nicarágua em Cúpula para falar de 'presos políticos'

O presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou nesta sexta-feira (10) seu descontentamento com a exclusão de países como a Nicarágua da Cúpula das Américas em Los Angeles, o que impediu discutir a libertação dos "presos políticos" do governo de Daniel Ortega.

"É importante que quando discordamos possamos dizer na cara do outro. A exclusão só fomenta o isolamento e não produz resultados, como aprendemos historicamente", disse o esquerdista Boric durante seu discurso no plenário do evento continental.

"Todos nós deveríamos estar aqui e nem todos estão. Não gosto da exclusão de Cuba, Venezuela e Nicarágua", acrescentou. Estados Unidos, em condição de anfitriões, excluíram esses três governos, argumentando que eles não respeitam a democracia.

"Seria diferente discutir em um fórum como este, com todos os países presentes, inclusive aqueles que decidiram se retirar, a necessidade urgente de libertar os presos políticos da Nicarágua ou também a importância moral e prática de acabar de uma vez por todas com a injusta e inaceitável bloqueio dos Estados Unidos contra o povo de Cuba", disse o líder chileno.

Daniel Ortega, um ex-guerrilheiro de 76 anos, obteve em novembro seu quarto mandato consecutivo desde 2007, em eleições em que a maioria de seus opositores e rivais estavam presos ou exilados. A organização Mecanismo para o Reconhecimento de Pessoas Presas Políticas na Nicarágua contabiliza 182 presos políticos na Nicarágua.

O presidente os acusa de conspirar para derrubá-lo com o apoio de Washington. Os opositores e a comunidade internacional consideram que são manobras para se manter no poder.

Durante a semana, algumas organizações de exilados nicaraguenses reclamaram que o tema não foi abordado na Cúpula.

"Nos sentimos duplamente torturados", disse Óscar González, da Unidade Médica da Nicarágua (UNM), formada por profissionais de saúde que alegam ter sido demitidos do sistema estadual de saúde ou receber represálias por atenderem feridos nos protestos contra o governo em 2018.

"Fomos vítimas da repressão e agora somos vítimas porque nos sentimos separados e não ouvidos do ponto de vista organizacional da Cúpula [das Américas]", acrescentou González, que mora no Equador.

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