Chile pagará auxílio a 40% da população como ajuda contra inflação mais alta em 30 anos

O presidente do Chile, Gabriel Boric, informou nesta segunda-feira que seu governo pagará um auxílio de uma só parcela de 120 mil pesos (R$ 651) para cerca de 7,5 milhões de pessoas, o equivalente a 40% da população do país de 19 milhões de habitantes.

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O anúncio acontece em um contexto de forte inflação e integra um pacote de medidas econômicas para ajudar as famílias denominado Plano de Apoio ao Chile.

Num evento realizado em Santiago, o chefe de Estado chileno afirmou que o auxílio será pago com o cuidado de manter a responsabilidade fiscal.

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—Após a pandemia, o nosso país e o mundo não conseguiram se recuperar totalmente — afirmou. — Temos uma situação em que há uma grande pressão sobre as famílias devido ao aumento do custo de vida e, como governo, não podemos ficar indiferentes a isso.

Em seguida, Boric acrescentou:

— Quero que saibam que, como governo, estamos a fazer todos os esforços para apoiar os setores mais afetados por esta crise sem abandonar o nosso compromisso de responsabilidade fiscal, para podermos avançar por ora, enquanto também entendemos as emergências, as reformas estruturais e o mandato de mudança que temos como governo.

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Segundo o ministro da Fazenda, Mario Marcel, o pagamento “beneficiará os 60% mais vulneráveis” da população.

— Vamos destinar cerca de 1, 2 bilhões de pesos (R$ 6,5 bi) para financiar as medidas — disse Marcel, que também disse que essas receitas virão de recursos inesperados arrecadados pelo Tesouro Público "mantendo os compromissos de responsabilidade fiscal".

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Outras medidas incluem a prorrogação de subsídios trabalhistas que já beneficiam cerca de 380 mil pessoas, que serão estendidos até o final do ano, e a extensão por 60 dias da licença parental pós-natal de emergência, o que beneficiará cerca de 15 mil mães e pais que perderiam a licença até 30 de setembro.

As medidas são tomadas em meio a uma inflação que atingiu 12,5% em 12 meses, a maior em três décadas. O Banco Central do Chile projetou que o aumento dos preços internos se aprofundará nos próximos meses.

— Estamos respondendo à preocupação que a Comissão da Fazenda da Câmara dos Deputados nos transmitiu, principalmente quando levantaram a necessidade de algum tipo de apoio econômico para este inverno, dada a situação da inflação, o aumento do custo de vida e o aumento nos preços de muitos produtos — disse Marcel.

Por sua vez, o presidente Boric sustentou que essas medidas devem ser aprovadas no Congresso, pelo que pediu aos parlamentares "que isso seja processado o mais rapidamente possível".

Boric, que assumiu em março, enfrenta um contexto difícil devido à inflação e às expectativas da população, com um país que já enfrenta quase três anos de crise política. Em 4 de setembro, o país realizará um plebiscito para decidir se sua muda sua Constituição, após um processo constituinte de 12 meses.

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