Chile rejeita esmagadoramente proposta de nova Constituição

Chilenos votam em proposta de nova Constituição

SANTIAGO (Reuters) - Os chilenos votaram esmagadoramente contra uma proposta de nova Constituição em um plebiscito no domingo, mas deixaram a porta aberta para um novo processo de substituição da carta magna herdada da ditadura.

Embora quase 80% dos chilenos tenham votado para redigir uma nova Constituição em 2020, quase 62% dos eleitores rejeitaram o novo texto com 99,74% das urnas apuradas.

Karol Cariola, porta-voz da campanha pela aprovação, admitiu a derrota na noite de domingo no centro de Santiago, mas disse que o mandato para redigir um novo texto continua em vigor.

"Nos comprometemos a gerar as condições para canalizar a vontade popular e o caminho que nos leve a uma nova constituição", afirmou Cariola.

O presidente Gabriel Boric, cujo governo está amplamente ligado ao novo texto, disse que mudanças no ministério estão chegando e que o governo trabalhará para redigir outra Constituição.

"Temos que ouvir a voz das pessoas. Não apenas hoje, mas nos últimos anos intensos que vivemos", disse Boric. "Essa raiva é latente e não podemos ignorá-la."

O presidente disse que trabalhará com o Congresso e diferentes setores da sociedade para elaborar outro texto com as lições da rejeição de domingo.

O texto proposto que os eleitores rejeitaram foi uma resposta aos protestos violentos generalizados que tomaram conta do país no final de 2019 e se concentrava em direitos sociais, meio ambiente, paridade de gênero e direitos indígenas, uma mudança acentuada de sua constituição favorável ao mercado que remonta à ditadura de Augusto Pinochet.

Quase 13 milhões dos 15 milhões de chilenos e residentes que eram elegíveis votaram em mais de 3.000 centros de votação.

(Reportagem de Alexander Villegas, Natlia Ramos e Fabian Cambero)