Chile se oferece para sediar processo de paz entre Colômbia e ELN

O chefe da equipe de negociação de paz da Colômbia, Gustavo Bell (E), cumprimenta o representante do Exército de Libertação Nacional (ELN), Pablo Beltran (D), durante coletiva de imprensa em Sangolqui, no Equador, em 15 de março de 2018

O Chile se ofereceu para sediar as negociações de paz entre o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN) depois que o Equador decidiu deixar de abrigá-las, enquanto Bogotá e representantes da guerrilha analisam que país receberá os diálogos.

O Governo do Chile "ofereceu à Colômbia, sediar a próxima reunião dos diálogos de paz entre o governo de Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN)", indicou, em Santiago, um comunicado da Chancelaria chilena.

A oferta se concretizou "considerando tanto o papel (do Chile) de garantidor" dessas negociações, após a decisão do Equador de "terminar com sua participação como garantidor e anfitrião de esses diálogos", acrescentou o texto.

Uma fonte do governo chileno informou horas antes que o presidente Sebastián Piñera fez a oferta durante uma conversa telefônica com seu contraparte colombiano, Juan Manuel Santos.

Em Bogotá, Santos confirmou a postura chilena e acrescentou que Brasil, Cuba e Noruega também se ofereceram.

"Estamos neste momento dizendo qual é o próximo passo a seguir", afirmou o mandatário a jornais colombianos.

A decisão do Chile acontece depois de o Equador anunciar, na quarta-feira, sua marginalização do processo de paz entre o ELN e o governo da Colômbia pela violência na fronteira.

As delegações do governo colombiano e a guerrilha disseram nesta sexta-feira que analisam a qual país destinarão os diálogos de paz, após a decisão do Equador de marginalizar-se do processo.

Sem mencionar onde poderão acontecer as negociações, ambas as partes afirmaram que estão "examinando conjuntamente as opções de nova sede para continuar o quinto ciclo".

"Temos o propósito de retomar os diálogos o mais rápido possível", indicaram em comunicado assinado por Gustavo Bell e Pablo Beltrán, chefes negociadores do governo e o Exército de Libertação Nacional (ELN), respectivamente.

As delegações também agradeceram ao Equador "pela generosidade" com a qual acolheu as negociações.

Os ataques e sequestros dos rebeldes dissidentes das Farc terminaram com o apoio de Quito aos esforços do governo colombiano para terminar com o último conflito armado da América Latina.

Quito sediava desde fevereiro de 2017 as negociações com o ELN, considerada a última guerrilha ativa na Colômbia com cerca de 1.500 combatentes, enquanto que o Chile já havia participado como garante do processo de paz que se levou adiante com as já dissolvidas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).