Chile vai às urnas na eleição mais incerta de sua história

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Um soldado monta guarda em um centro de votação em Vallenar, Chile, em 20 de novembro de 2021 (AFP/JAVIER TORRES)

O Chile vota neste domingo (21) na eleição presidencial mais incerta em 31 anos de democracia, enquanto candidatos e lideranças políticas multiplicam seus apelos para que os indecisos, 50% entre 15 milhões de eleitores, vão às urnas.

Em um dia particularmente quente de primavera - com mais de 30 graus Celsius - longas filas foram vistas em centros de votação em Santiago e cidades no norte e sul do Chile. A votação no país não é obigatória desde 2012 e geralmente há baixa participação eleitoral, especialmente entre os jovens.

"É preciso votar para virar esta página de divisão e confusão nas ruas", disse à AFP Cristina Arellano, contadora de 42 anos de uma seção eleitoral em Ñuñoa, bairro de classe média da capital.

Em uma eleição marcada por dois anos de duros protestos sociais, o presidente cessante, Sebastián Piñera, foi a primeira figura pública a votar em uma escola em Las Condes, um bairro rico de Santiago.

“Vamos dar um exemplo para o mundo inteiro de como funciona a democracia no Chile”, pediu Piñera.

Analistas ouvidos pela AFP consideram que as eleições deste domingo podem encerrar o antigo ciclo político do país, já que os dois favoritos - e a maioria dos candidatos - estão fora das coligações com partidos tradicionais que governaram nas últimas décadas.

Os quatro principais canditados, o deputado esquerdista Gabriel Boric, o advogado de extrema direita José Antonio Kast, a senadora democrata-cristã Yasna Provoste e o advogado liberal de direita Sebastián Sichel, mostraram-se cautelosos e pediram aos chilenos que celebrassem votando nesta "festa democrática" e "evitando o extremismo".

As urnas estarão abertas até as 18h00 locais (de 8h a 18h em Brasília)para votar para presidente, renovar toda a Câmara dos Deputados e metade do Senado, além de vereadores regionais.

Representantes dos dois extremos do espectro político chegam como favoritos: o deputado da Frente Ampla (esquerda) Boric, o candidato mais jovem da história aos 35 anos; e o advogado de extrema direita Kast, de 55 anos, do Partido Republicano.

Cerca de 50% de indecisos, voto voluntário e restrições sanitárias devido à pandemia, compõem o cenário mais incerto desde o retorno à democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Boric votou na cidade onde nasceu, Punta Arenas, às margens do Estreito de Magalhães, mais de 3.000 km ao sul de Santiago; a candidata Provoste, o fez em Vallenar, sua cidade natal 660 km ao norte da capital; e Kast em Paine, uma área rural perto de Santiago.

- Polos opostos -

Embora os dois favoritos tenham programas ideologicamente opostos, nenhum candidato pôde evitar em sua campanha a promessa de bem-estar e garantia de direitos sociais, a grande reivindicação transversal no Chile desde a revolta de outubro de 2019.

“Representamos o processo de mudança e transformação que se aproxima, (mas) com certeza, com a gradação que for necessária”, frisou Boric ao votar em Punta Arenas, onde reivindicou uma mudança no modelo neoliberal de desenvolvimento do país.

Por sua vez, Kast tenta manter o modelo neoliberal herdado da ditadura de Pinochet e promete impor "ordem, segurança e liberdade", após dois anos de revolta social.

“O principal (é que) muita gente possa comparecer para votar e que cada um possa se pronunciar em liberdade” e “votar informado”, disse Kast, que argumenta que Boric e sua aliança com o Partido Comunista trarão “caos” ao Chile.

Pelas pesquisas, nenhum candidato alcançaria 50% dos votos para garantir a vitória no primeiro turno, então a votação está prevista para 19 de dezembro.

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