Chile vai retomar as retiradas de migrantes em situação irregular

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(Fevereiro) Imigrantes venezuelanos caminham por estrada em direção a Iquique, após cruzarem a fronteira chilena a partir da Bolívia (AFP/Martin BERNETTI)

O Chile anunciou nesta quarta-feira (22) que vai retomar as retiradas em massa de migrantes em situação irregular, principalmente venezuelanos, que entram por meio de medidas não autorizadas.

O ministro do Interior, Rodrigo Delgado, anunciou a retomada dos voos de expulsão, depois de terem realizado quatro entre fevereiro e agosto deste ano, nos quais 547 pessoas foram deportadas. No total, 1.365 migrantes foram retirados em 2020.

O último vôo de deportação realizado pelo governo foi em agosto, depois que a ONU expressou preocupação com a medida. Os tribunais chilenos suspenderam essas expulsões após admitir dezenas de recursos patrocinados por organizações que os criticam por, em sua opinião, violarem os direitos dos migrantes.

“Tomamos nota das recomendações, revisamos os nossos processos, respeitamos as decisões, mas nesse contexto durante as próximas semanas vamos retomar as expulsões”, disse Delgado, em declarações à imprensa em Santiago.

O anúncio surge em meio ao crescente aumento da entrada de migrantes através de travessias clandestinas na fronteira com a Bolívia, no norte do Chile, por onde passaram 23.673 migrantes nos primeiros sete meses de 2021.

“O Chile é hoje um destino migratório atraente para muitos (devido à) situação sanitária, vacinas (contra a covid-19), situação econômica e necessidade de empregar pessoas que, muitas vezes, não estão trabalhando em diferentes áreas”, afirmou o ministro.

A cidade chilena de Colchane, a 3.650 metros de altitude, concentra o maior número de migrantes que cruzam o inóspito Altiplano, onde as autoridades locais afirmam que, no início do ano, sofreu um colapso devido à chegada de milhares de imigrantes indocumentados e onde pelo menos 11 migrantes morreram devido às condições climáticas adversas.

“Nisso quero ser muito claro, se verificarmos as estatísticas enquanto conseguimos expulsar, nos saímos bem com o fluxo migratório na fronteira com Colchane. Infelizmente, quando tivemos que parar, a entrada clandestina aumentou”, explicou Delgado.

Só em agosto, 331 estrangeiros, 260 deles venezuelanos, chegaram na cidade. Os demais são de nacionalidade boliviana, peruana e colombiana, especificaram as autoridades.

msa/gm/ap

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