China adverte contra visita a Taiwan da presidente da Câmara dos EUA

A China prometeu dar uma resposta “resoluta e forte” a qualquer visita a Taiwan da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, preparando o terreno para um possível confronto durante a histórica viagem.

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O plano de Pelosi de liderar uma delegação a Taipé no próximo mês, que foi relatado pelo Financial Times, teria um "grave impacto" nos laços EUA-China, disse nesta terça-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian. A China emitiu um aviso semelhante sobre uma visita planejada por Pelosi em abril, antes de contrair Covid-19 e cancelar a viagem.

— A China se opõe firmemente a isso, pois terá um grave impacto na base política das relações bilaterais — disse Zhao em uma entrevista coletiva em Pequim. — Se os EUA insistirem em seguir o caminho errado, a China tomará medidas resolutas e fortes para salvaguardar sua soberania e integridade territorial. Todas as consequências resultantes serão responsabilidade do lado americano.

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Nenhum presidente em exercício da Câmara dos EUA visitou Taiwan desde que o republicano Newt Gingrich viajou para a ilha em 1997. Pequim considera a ilha uma província rebelde, e apenas 14 países têm relações diplomáticas formais com o território para onde fugiram os nacionalistas derrotados na guerra civil chinesa, vencida pelos comunistas em 1949.

O aviso ocorre quando os principais assessores do presidente dos EUA, Joe Biden, e do presidente chinês, Xi Jinping, envolvem-se em negociações em preparação para uma possível conversa entre os dois líderes. A China protesta regularmente contra a visita de autoridades estrangeiras a Taipé como uma violação dos acordos diplomáticos para evitar o reconhecimento formal de Taiwan, no marco da política de "uma só China".

A China aumentou a atividade militar em torno de Taiwan para sinalizar seu descontentamento com visitas de alto nível anteriores. Hu Xijin, comentarista e ex-editor-chefe do jornal estatal em inglês Global Times,, disse em um tuíte na terça-feira que Pelosi “também terá responsabilidade histórica por possivelmente desencadear um conflito militar no Estreito de Taiwan”.

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Taipé viu uma onda de viagens desse tipo nos últimos anos. Xi está tentando pressionar a líder taiwanesa Tsai Ing-wen por sua recusa em aceitar que ambos os lados façam parte de “uma única China”.

Na terça-feira, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Nicola Beer , iniciou uma visita de três dias a Taipé, liderando a delegação legislativa mais importante da UE a visitar Taiwan. Beer disse a repórteres após sua chegada que a “família das democracias” precisa apoiar Taiwan após a repressão da China à oposição em Hong Kong e a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Sem 'olhos fechados'

— Não vamos fechar os olhos para a ameaça da China a Taiwan — disse Beer. — A Europa estava atrasada para Hong Kong. Não vamos nos atrasar para Taiwan. Não há espaço para a agressão chinesa na Taiwan democrática. No momento, testemunhamos a guerra na Europa. Não queremos testemunhar a guerra na Ásia. E agora é o momento de permanecer firme ao lado de Taiwan.

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Zhao, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que as ações do Parlamento Europeu "envenenaram a atmosfera" dos laços UE-China.

— Pedimos ao lado da UE que cumpra seriamente o princípio de uma só China e seja prudente em questões relacionadas a Taiwan para evitar sérias interrupções nas relações bilaterais — disse ele.

A recusa da China em condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia complicou seus esforços para fortalecer as relações com a UE. Os principais líderes europeus não responderam a um convite de Xi para encontrá-lo ainda este ano em Pequim, informou o South China Morning Post, citando uma pessoa familiarizada com o assunto. Zhao chamou a notícia de “fake news”.

O ex-secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, também esteve em Taiwan esta semana como parte de uma viagem apoiada pelo Conselho Atlântico. Em Taipé, Esper disse que era hora de se afastar da política dos EUA de "ambiguidade estratégica", na qual gerações de formuladores de políticas de Washington evitaram um compromisso claro de defender Taiwan de qualquer ataque chinês.

— O maior desafio que as democracias do Ocidente enfrentam hoje não está na Rússia. É aqui na Ásia, onde a China continua a desafiar a ordem internacional baseada em regras que ameaça os amantes da liberdade em toda a região — disse Esper. — Taiwan está na linha de frente desta competição épica.

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