China aperta o cerco contra Jack Ma e manda Alibaba reduzir participação no setor de mídia

O Globo, com agências
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LONDRES - O governo chinês resolveu cortar as asas de Jack Ma, dono do Alibaba, comparado por muitos a Jeff Bezos. Assim como o fundador da Amazon, que em 2013 entrou como pessoa física para o negócio de comunicação ao comprar o The Washington Post, Ma também flerta com o setor.

Mas com uma diferença: ele acumulou uma série de empresas de mídia no portfólio do seu conglomerado. E por causa disso terá que se desfazer de alguns ativos, por determinação do Governo.

O motivo é a “crescente influência do bilionário sobre a opinião pública no país, como relataram os principais jornais financeiros, citando fontes locais, na segunda-feira.

Segundo o site especializado Techcrunch, Jack Ma entrou no radar do Governo sobretudo depois da compra do South China Morning Post, principal jornal de língua inglesa em Hong Kong, palco de grande tensão política e social.

Em fevereiro, ele ficou ausente de uma lista de grandes empresários publicada pelo jornal estatal Shanghai Securities News elogiando os destaques do ano em tecnologia.

O Wall Street Journal afirmou que os reguladores chineses começaram em janeiro a analisar uma lista de ativos pertencentes à empresa com sede em Hangzhou, cujo negócio principal é o varejo online. E teriam ficado chocadas com a extensão dos interesses do Alibaba ano setor de mídia, levando ao pedido de um plano para reduzir substancialmente suas participações no segmento.

O grupo de Jack Ma tem negócios em mídia impressa e eletrônica, redes sociais – como as plataformas Weibo, equivalentes ao Twitter e a Bilibili, de vídeo – e em publicidade.

Algumas empresas são listadas em bolsas de valores americanas. Pertencem ao grupo Alibaba também o site de notícias de tecnologia 36Kr, listado em Nova York.

O Techcrunch atribuiu o aumento da preocupação do governo chinês com a atuação de Jack Ma em mídia depois que o Weibo excluiu dezenas de postagens sobre o caso extraconjugal de um executivo do Alibaba em junho passado.

Segundo a Reuters noticiou na época, o Weibo foi repreendido pelo órgão regulador chinês por “interferir na ordem de comunicação online, disseminando informações ilegais e outros problemas”.

O Weibo recebeu multa e uma ordem para parar de atualizar suas listas que mostram os termos de busca e tópicos mais populares discutidos na plataforma por uma semana, como relatou a Reuters.

A agência mencionou também um outro caso, ocorrido em 2018, em que o Weibo teve que tirar do ar temporariamente alguns de seus portais de buscas e de notícias sobre celebridades porque os reguladores consideraram o conteúdo obsceno.

A pressão sobre o grupo Alibaba não é a única medida sinalizando interesse em limitar a concentração de poder na internet. Em 2020 o próprio Alibaba e seu concorrente Tencent, dono da plataforma WeChat, haviam sido multados por não informarem o Governo sobre aquisições.

Mas parece ser Ma o principal alvo. Ele ficou “sumido” durante três meses no fim de 2020, despertando uma série de especulações sobre seu paradeiro. Em janeiro passado, o âncora da CNBC deu a notícia de que ele estava apenas “calado”. E que estaria sendo discreto para diminuir as pressões do Governo sobre suas atividades empresariais. Ma aposentou-se oficialmente em 2019 mas continua com principal acionista do Alibaba.

Na sexta-feira passada, o Wall Street Journal revelou que o Alibaba corre o risco de levar uma multa recorde na China por práticas anticompetitivas, que podem ultrapassar os US$ 975 milhões pagos pela Qualcomm, fabricante de chips dos Estados Unidos, em 2015.

De acordo com o artigo, as autoridades acusam o Alibaba de impedir que comerciantes que vendem produtos na plataforma também vendam em sites rivais.