China apoia que OMS avalie 'resposta mundial' à pandemia

Operário usa máscara em área de construção em Pequim em 8 de maio de 2020

A China afirmou nesta sexta-feira que apoia a criação, "após o fim da pandemia", de uma comissão liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar "a resposta mundial" ao novo coronavírus.

A declaração foi feita após a forte pressão internacional, sobretudo por parte dos Estados Unidos e da Austrália, a favor de uma investigação sobre o surgimento do patógeno na China.

A revisão deverá acontecer de forma "aberta, transparente e inclusiva", com a participação do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, "no momento oportuno, quando a epidemia ceder", disse em uma entrevista coletiva Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

A porta-voz afirmou que a iniciativa precisa ser validada pela Assembleia Mundial da Saúde da OMS ou seu conselho executivo, os dois principais órgãos da instituição, com sede em Genebra.

Ela também destacou um ponto importante: não se trata de uma investigação direcionada especificamente para a China, e sim de uma avaliação sobre o conjunto de países do mundo.

Estados Unidos e Austrália pediram uma investigação internacional na China sobre a origem do vírus.

Pequim rejeitou os pedidos e denunciou uma "politização" da crise de saúde.

Hua Chunying, no entanto, não explicou se a eventual avaliação deve estudar também a origem do vírus.

A revisão deveria perseguir a obtenção de "um balanço da experiencia e das lacunas da reação internacional à epidemia, além de emitir sugestões sobre os meios para reforçar o trabalho da OMS, desenvolver as infraestruturas de saúde dos Estados e melhorar a capacidade de resposta mundial ante as doenças infecciosas", afirmou.

A China, primeiro país a informar casos de COVID-19 depois que a epidemia surgiu na cidade de Wuhan (centro), se declarou favorável à investigação sobre a origem do vírus.

Pequim, no entanto, já indicou que o novo coronavírus não teria que proceder "necessariamente" da China, pois ainda não foi encontrado o paciente zero e este pode ter vindo de fora.

Um dos principais nomes da gestão da pandemia na OMS, Maria van Kerkhove, afirmou que a organização está discutindo com Pequim sobre o envio à China de uma missão estudar a origem animal do vírus.

A administração americana criticou o governo chinês por sua suposta falta de transparência e apontou que o vírus pode ter saído de um laboratório de Wuhan, unas declarações que a TV pública chinesa classificou de "insanas".

Vários países, como França, Alemanha ou Reino Unido, também pediram nas últimas semanas ao governo chinês que demonstre mais transparência em sua gestão da epidemia.