China aumenta poder militar com segundo porta-aviões

O porta-aviões "Liaoning" em 24 de abril de 2018

O segundo porta-aviões da China, o primeiro de fabricação própria, entrou em operação nesta terça-feira ao ser entregue à Marinha, anunciou o canal estatal CCTV, em um contexto de rivalidade com os Estados Unidos na região do Pacífico.

A integração oficial às Forças Armadas chinesas do navio, batizado de "Shandong", aconteceu em uma cerimônia em uma base naval da ilha de Hainan (sul), na presença do presidente chinês Xi Jinping.

A cerimônia aconteceu na presença de 5.000 integrantes da Marinha e operários que participaram de sua construção, que cantaram o hino nacional durante o hasteamento da bandeira chinesa.

Xi Jinping, em traje oficial escuro, posou para uma foto com os militares e civis e presentes no porto da cidade costeira de Sanya.

O país possuía até agora apenas um porta-aviões operacional, o "Liaoning", construído pela ex-URSS e comprado da Ucrânia, que entrou em serviço em 2012.

Este segundo porta-aviões, que era conhecido apenas como "Type-001A" e que foi fretado em 2017, funciona a propulsão clássica (e não nuclear) e pode embarcar quase 40 aviões.

O exército chinês prossegue com o aumento de sua força militar. O país é considerado a segunda potência militar mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

"Com esse novo porta-aviões, a China que estar em posição de assegurar uma presença visível, potente e durável", aponta James Goldrick, especialista em forças navais da Universidade Nacional Australiana.

"Quer proteger seus navios de mercadorias, em particular as vitais cargas energéticas provenientes do Oriente Médio", explica.

O início das operações do porta-aviões acontece em um momento em que Pequim reivindica com mais veemência suas pretensões territoriais no Mar da China meridional.

Argumentando uma presença mais antiga na área, o gigante asiático disputa com outros países (Vietnã, Filipinas, Malásia e Brunei) o controle de ilhas e ilhotas.

Nesse contexto, e para controlar as ambições de Pequim, os Estados Unidos enviam regularmente navios de guerra ao Mar da China Meridional e às margens de Taiwan, em nome da "liberdade de navegação".

Iniciativas que a China descreve como provocações.

"Este novo porta-aviões será, portanto, uma grande ajuda para manter sua soberania nacional, integridade territorial e segurança" diante da marinha dos EUA, explica o especialista militar chinês Song Zhongping.

"Também pode ser útil se um dia a China decidir usar sua força contra Taiwan", diz Steve Tsang, especialista em Defesa chinesa na Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS) de Londres.

A ilha de Taiwan, um território chinês não conquistado pelos comunistas durante a guerra civil contra os nacionalistas (1927-1949), permanece politicamente separada da China continental há 70 anos.

Embora a China seja a favor de uma solução política, se recusa a excluir o uso da força para recuperar a ilha.

Com dois porta-aviões em serviço, Pequim ainda está longe dos Estados Unidos, com 11, mas supera a Rússia, França, Índia e Reino Unido (todos com um), aponta Nick Childs, especialista em forças navais no Instituto Internacional Britânico de Estudos Estratégicos (IISS).