China chama restrições a viajantes do país de irracionais e acusa manipulação política

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério das Relações Exteriores da China chamou de "simplesmente irracional" a imposição de restrições a viajantes chineses como resposta à explosão de casos de Covid no país. De acordo com a diplomacia de Pequim, a decisão adotada por ao menos 16 nações, como Estados Unidos, França, Reino Unido e Israel, não tem embasamento científico.

"Estamos dispostos a melhorar a comunicação com o mundo", disse a porta-voz Mao Ning durante entrevista coletiva nesta terça-feira (3). "Mas nos opomos firmemente a tentativas de manipular as medidas de prevenção e controle da epidemia para fins políticos e tomaremos as medidas correspondentes em diferentes situações de acordo com o princípio da reciprocidade."

No início de dezembro, a China encerrou a Covid zero, política sanitária restritiva baseada na obrigatoriedade de testes em massa e em lockdowns severos onde casos de coronavírus eram detectados. Ao fim das restrições mais duras, seguiu-se uma mudança na forma como o país contabiliza infecções e mortes --em parte porque, sem os testes obrigatórios, a maior parte dos chineses pode ter deixado de notificar as autoridades sobre exames com resultado negativo.

Apesar do apagão de dados oficiais, estima-se que os novos casos de Covid na China estejam na casa dos milhões. Ao mesmo tempo, o país retomou tanto a emissão de vistos de turismo a estrangeiros quanto a de passaportes a chineses que queiram viajar ao exterior.

Sob a justificativa de evitar a circulação do coronavírus e o eventual surgimento de novas variantes, vários países voltaram a impor medidas de controle contra viajantes chineses. A maior parte delas se limita a exigir um teste com resultado negativo realizado até 48 horas antes do embarque na China; há ainda países que exigirão que os passageiros também se submetam a exames de detecção no desembarque, como França e Japão.