China começa julgamento dos '12 de Hong Kong' e EUA protesta

Beiyi SEOW
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Militante pró-democracia de Hong Kong, Lee Cheuk-Yan, pede a libertação dos ativistas julgados por tentativa de fuga em Hong Kong

O julgamento contra um grupo de 12 ativistas de Hong Kong detidos no mar em agosto, quando tentavam fugir da cidade, começou nesta segunda-feira (28) no sul da China, sob críticas do governo dos Estados Unidos, que pede a libertação imediata do grupo.

Seis meses depois da adoção de uma lei draconiana sobre segurança nacional em Hong Kong, o processo parece um símbolo de posse da ex-colônia britânica por parte de Pequim.

"Seu único crime é ter fugido da tirania", declarou um porta-voz da embaixada americana em Pequim. "A China comunista não para diante de nada para impedir que seus cidadãos encontrem a liberdade no exterior", completou.

Os 12 homens, cujo integrante mais jovem tem 16 anos, foram detidos pela Guarda Costeira chinesa 70 km ao sudeste do território autônomo em 23 agosto e entregues à polícia de Shenzhen, cidade da China continental próxima de Hong Kong. O grupo seguia para Taiwan, ilha rival da China comunista.

A audiência para 10 membros do grupo conhecido como "12 de Hong Kong" aconteceu no tribunal do distrito de Yantian, de Shenzhen. Quatro horas mais tarde um comboio de veículos deixou o local.

O tribunal informou que a audiência será divulgada em uma data posterior.

Os jornalistas estrangeiros não tiveram acesso ao tribunal. A polícia registrou a identidade dos repórteres, que receberam ordem de deixar o local.

Dezenas de diplomatas de vários países (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda, Portugal, Reino Unido) tampouco tiveram acesso ao julgamento.

De acordo com suas famílias, três acusados têm nacionalidades britânica, portuguesa e vietnamita.

- "Firme oposição" -

Um porta-voz da diplomacia chinesa expressou nesta segunda-feira a "firme oposição" aos comentários da embaixada dos Estados Unidos e pediu a Washington "o fim de qualquer interferência nos assuntos internos da China".

"A China é um Estado de direito, onde as leis devem ser respeitadas, e os infratores devem ser julgados", completou.

As famílias anunciaram na sexta-feira que dez dos 12 acusados seriam julgados nesta segunda-feira. Os outros dois, menores de idade no momento da tentativa de fuga, serão julgados de maneira separada em uma data não determinada.

Eles são acusados de travessia ilegal na fronteira. Dois deles também foram indiciados pela organização da fuga do grupo e podem ser condenados a sete anos de prisão.

Os opositores desapareceram no obscuro sistema judicial chinês desde sua captura, e os advogados lutavam para ter acesso aos ativistas.

Alguns passageiros da lancha já eram ameaçados por ações judiciais em Hong Kong por sua participação nas grandes manifestações a favor da democracia que sacudiram a cidade em 2019.

Os protestos foram interrompidos no início de 2020 pela pandemia da covid-19, que provocou o fim das manifestações, e depois pela imposição por parte de Pequim, em junho, de uma nova lei rigorosa sobre "segurança nacional".

- Processo secreto -

Os críticos da lei consideram que ela acabou com as liberdades de Hong Kong que estavam garantidas sob o princípio "um país, dois sistemas", quando o Reino Unido devolveu o território à China em 1997.

As famílias dos acusados informaram que, de acordo com as autoridades, este era um processo "secreto" e que não seria admitida a presença de público, ou da imprensa, na audiência.

Apenas as famílias foram autorizadas a solicitar ao juiz permissão para assistir ao julgamento. Devido à pandemia, porém, os habitantes de Hong Kong não podem entrar atualmente na China continental.

Também nesta segunda-feira, a "jornalista cidadã" Zhang Zhan, detida depois de cobrir no início do ano a quarentena da cidade de Wuhan, berço do novo coronavírus, foi condenada em Xangai a quatro anos de prisão.

"Como nos outros casos politicamente delicados, estão aproveitando o período de Natal para reduzir as críticas internacionais", escreveu uma pessoa próxima aos "12 de Hong Kong", no Twitter, na semana passada.

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