China não consegue reduzir suas emissões de metano, diz estudo

Um motociclista usa uma máscara protetora em um dia de poluição pesada em Pequim, em 14 de novembro de 2018

A China continuou emitindo cada vez mais metano, gás do efeito estufa muito prejudicial para o clima, apesar da regulamentação imposta às minas de carvão, indica um estudo publicado nesta terça-feira (29) na Nature Communications.

A extração de carvão é a primeira fonte de emissões de metano no gigante asiático, maior emissor global de gases do efeito estufa.

O 12º plano quinquenal chinês, adotado em 2010, impunha às minas reciclar na produção elétrica ou calefação, ou queimar o gás para transformá-lo em CO2. O objetivo era capturar 5,6 teragramas (8,4 bilhões de m3) até 2015 e mais que o dobro até 2020.

Mas na realidade, a quantidade de gás capturado é muito inferior ao objetivo fixado, e as emissões registradas inclusive aumentaram 1,1 teragramas por ano entre 2010 e 2015.

Segundo o estudo, que aponta a "ineficácia" da regulação, as emissões em 2015 eram 50% superiores às de 2000.

O estudo se baseia nas observações de satélites japonesas Gosat (Greenhouse gases observing), programa lançado em 2009, cujos dados são utilizados pela primeira vez para estudar o metano chinês.

"Os esforços da China para regular seus gases do efeito estufa e se tornar um líder climático foram muito cobertos pela imprensa nos últimos anos, mas as cifras mostram que suas regulamentações em termos de metano não tiveram um impacto quantificável", aponta o autor principal, Scot Miller, da Universidade John Hopkins (Baltimore, EUA).

"Sobre o metano, o governo chinês fala mas não faz", acrescenta.

O metano é o segundo principal gás do efeito estufa, atrás do CO2. Embora fique menos tempo na atmosfera, é muito mais prejudicial.