China convoca o Parlamento para demonstrar retorno à normalidade

Por Sébastien RICCI
A sessão anual do Parlamento chinês vai começar no dia 22 de maio

A sessão anual do Parlamento chinês acontecerá no fim de maio, anunciaram nesta quarta-feira (29) as autoridades do país, em uma clara tentativa de enviar ao mundo um sinal do retorno à normalidade após a pandemia do novo coronavírus.

A sessão, que acontece a cada ano desde 1978 e reúne quase 3.000 deputados dentro do Palácio do Povo, começará em 22 de maio.

"É um sinal de força", interpretou o cientista político Willy Lam, da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Lam ressaltou que a "mensagem é que sob o comando de (o presidente chinês) Xi Jinping, o país controlou muito bem epidemia, muito melhor que os Estados Unidos", onde o vírus matou mais americanos que a guerra do Vietnã.

A grande reunião do Parlamento chinês estava prevista para o início de março, mas a pandemia provocou o adiamento.

A sessão plenária pretende mostrar a união do país e, por este motivo, recorre a imagens repletas de bandeiras vermelhas e a votações de novas regulamentações com resultados praticamente unânimes.

Até o momento reunir 3.000 deputados em Pequim parecia impensável, já que o país deveria respeitar medidas drásticas de confinamento e grande parte dos chineses precisavam permanecer em casa para evitar os contágios.

Mas a "situação melhora progressivamente" do ponto de vista sanitário e a vida econômica e social "retomam pouco a pouco o ritmo normal", destacou a agência oficial Xinhua, para a qual estão reunidas as condições para a sessão do Parlamento.

Nesta quarta-feira, a prefeitura de Pequim anunciou o fim da quarentena obrigatória de 14 dias a que estavam submetidas todas as pessoas que chegavam à capital chinesa.

Porém, os viajantes procedentes de Hubei, marco zero da pandemia, e os estrangeiros continuam obrigados a passar pelo isolamento de duas semanas.

- De pé -

O novo coronavírus surgiu no fim do ano passado em Wuhan, cidade da região central do país, e infectou quase 83.000 pessoas, com 4.633 vítimas fatais. Posteriormente, a COVID-19 se propagou para todo o mundo.

Depois de demorar a reagir e de reprimir as pessoas que tentaram alertar o país, o governo chinês adotou medidas radicais com a instauração de uma quarentena na província de Hubei, cuja capital é Wuhan, e a paralisação econômica de boa parte do país.

Convocar o Parlamento é "a prova de que a China está novamente de pé e que sua máquina econômica volta a rugir", disse Willy Lam.

O analista considera que o anúncio também deseja tranquilizar os cidadãos chineses depois que a economia registrou um forte retrocesso no primeiro trimestre (-6,8%).

A sessão anual do Parlamento é o momento que o regime anuncia a previsão de crescimento anual. Mas diante do contexto econômico incerto, talvez apresentem projeções para os próximos dois anos, de acordo com a empresa de consultoria Trivium China.

Em suas previsões mais recentes, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou para a China um crescimento "moderado" de 1,2% em 2020, com um avanço de 9,2% em 2021, quando a economia mundial deve retomar o rumo.

A Xinhua não informou se todos os deputados estarão presentes em Pequim para a sessão parlamentar ou se em alguns casos poderiam participar por videoconferência.

A reunião dos deputados tem duração de 10 dias e neste ano devem ser apresentadas 17 leis sobre saúde e higiene, de acordo com a agência oficial.

Entre as normas também figuram a proibição do comércio de animais selvagens e o fortalecimento da legislação para a prevenção de epidemias.