China deve aceitar coexistência a longo prazo com Taiwan, diz presidente

A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen

A China deve aceitar a coexistência pacífica ao lado de um Taiwan democrático que nunca aceitará o domínio do governo de Pequim, disse a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, em seu discurso de posse nesta quarta-feira (20), imediatamente rejeitado pelas autoridades chinesas.

Os taiwaneses reelegeram Tsai, que conquistou um segundo mandato com uma vitória esmagadora em janeiro, em uma resposta clara à campanha em curso da China para isolar a ilha.

A líder de 63 anos é considerada inimiga pelo governo de Pequim, uma vez que defende a soberania da ilha e rejeita firmemente a visão chinesa de uma "China única".

Tsai, porém, renovou sua oferta de negociações com a China e pediu ao presidente Xi Jinping para trabalhar com ela para reduzir as tensões.

"É dever de ambas as partes encontrar uma maneira de coexistir a longo prazo e evitar a intensificação do antagonismo e das diferenças", afirmou a presidente.

Mas desde que Tsai assumiu o cargo em 2016, a China rejeitou ofertas de negociações e aumentou a pressão econômica, militar e diplomática contra uma ilha que considera uma província rebelde que um dia deve retornar à soberania nacional.

De fato, Pequim considera Taiwan como parte de seu território e prometeu recuperar esse território à força, se necessário.

O gigante asiático prevê um modelo de "um país, dois sistemas" que, como em Hong Kong, permitiria que Taiwan mantivesse algumas liberdades, respeitando o domínio da China continental.

No entanto, Tsai deixou claro em seu discurso de posse que este modelo não tem futuro.

"Não aceitaremos o uso pelas autoridades de Pequim do modelo de 'um país, dois sistemas' para degradar Taiwan e prejudicar o status quo", afirmou. "Permanecemos firmes nesse princípio".

- "Soberania nacional" -

Taiwan é governado separadamente da China continental desde 1949, depois que os nacionalistas do Kuomintang, liderados por Chang Kai Chek, perderam uma guerra civil contra os comunistas e fugiram para a ilha para estabelecer um governo rival.

Ao longo das décadas, principalmente depois que o estado de emergência na ilha foi levantado nos anos 1990, uma identidade taiwanesa surgiu e se consolidou, e muitos taiwaneses não querem mais a reunificação com a China.

Essa evolução preocupa Pequim, que considera qualquer declaração formal de independência como uma linha vermelha.

Nesta quarta-feira, após o discurso da presidente Tsai, um alto funcionário chinês reiterou que nunca aceitaria uma secessão da ilha.

"Temos determinação inabalável, total confiança e todas as capacidades para defender a soberania nacional e a integridade territorial", disse o porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan, Ma Xiaoguang.

Pequim "nunca tolerará atividades separatistas", ressaltou o porta-voz.

Ma também criticou a interferência de "forças estrangeiras", referindo-se aos Estados Unidos, que apesar de terem reconhecido diplomaticamente a China popular, continuam sendo aliados militares de Taiwan.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, enviou precisamente uma mensagem saudando "a coragem e a visão" da presidente de Taiwan, que foi lida durante sua posse.

Essa investidura ocorre no momento em que sua administração desfruta do sucesso de sua resposta efetiva ao coronavírus.

A ilha conseguiu conter o surto e registrou pouco mais de 400 casos de infecção e sete mortes.

"O nome de Taiwan está nas primeiras páginas do mundo, graças ao freio efetivo da epidemia", disse Tsai.