China diz que continuará ajustando medidas contra Covid

Motociclista diante de telão com presidente Xi em Pequim

XANGAI (Reuters) - A China continuará ajustando suas medidas para controlar a Covid-19 enquanto tenta minimizar infecções e casos graves, disseram autoridades neste sábado, um dia após anúncios surpresa para diminuir o impacto de uma política estrita de Covid zero.

As autoridades anunciaram as medidas, aplaudidas pelos mercados financeiros, apesar de um aumento de infecções ao nível mais alto desde o final de abril, segundo dados divulgados no sábado, com surtos em cidades importantes, como Pequim, Guangzhou e Chongqing.

As medidas de flexibilização de sexta-feira incluíram quarentenas mais curtas para viajantes que chegavam e aqueles em contato próximo com pessoas infectadas. As quarentenas foram reduzidas em dois dias para oito.

As medidas rigorosas da China afetaram a segunda maior economia do mundo, interrompendo a atividade industrial e frustrando os residentes com bloqueios, quarentenas, testes frequentes e interrupções de viagens.

"À medida que novas variantes do vírus continuam chegando, enquanto nosso conhecimento sobre a doença se aprofunda e a situação epidêmica muda tanto em casa quanto no exterior, não descartamos a possibilidade de otimizar e ajustar ainda mais nossas medidas de quarentena”, disse Wang Liping, pesquisador do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, em uma coletiva de imprensa no sábado em Pequim.

A China vai parar de tentar identificar contatos "secundários", uma prática que envolveu muitos residentes urbanos nos esforços de rastreamento, enquanto ainda identifica contatos próximos, disseram autoridades na sexta-feira.

As medidas aliviarão os gargalos, incluindo a falta de salas de quarentena e profissionais de rastreamento de contatos, disse Lei Haichao, vice-diretor da Comissão Nacional de Saúde (NHC), na coletiva de imprensa.

'PREPARANDO PARA A SAÍDA'

"Uma reabertura completa ainda não é realista no momento", disse Jiang Shuai, um profissional financeiro em Pequim. “Mas podemos esperar que as coisas melhorem no futuro, em termos de vacinação e tratamento da Covid-19”.

A China manterá uma abordagem orientada para a prevenção para alcançar "o menor número possível de infecções, o menor número possível de casos graves e críticos", disse Lei, observando que a China tem muito menos leitos hospitalares per capita do que os países desenvolvidos.

O NHC relatou 11.950 novas infecções por Covid na sexta-feira, baixo para os padrões globais, mas acima dos 10.729 casos do dia anterior.

O Goldman Sachs disse que continua a ver riscos negativos para o crescimento econômico de curto prazo da China, já que várias grandes cidades relatam números crescentes de casos, chamando as medidas de "marginais em termos de impacto econômico".

"No entanto, a sinalização é de que a alta liderança está se preparando para sair de três anos de política de Covid zero em algum momento do próximo ano", disse o banco de investimento em nota na sexta-feira, prevendo que o período mais provável seria após as reuniões parlamentares de março.

Guangzhou, uma metrópole do sul de quase 19 milhões de pessoas que colocou um punhado de distritos sob bloqueio, relatou 3.180 infecções transmitidas localmente na sexta-feira, ante 2.583 no dia anterior.

Pequim relatou 68 casos sintomáticos e 48 assintomáticos, contra 64 sintomáticos e 54 assintomáticos no dia anterior, mostraram dados do governo local.