China e EUA marcam encontro entre diplomatas no Alasca

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A China e os EUA marcaram uma reunião entre seus diplomatas para o dia 18 de março, no Alasca, em uma tentativa de resetar as relações entre os dois países, que vivem uma Guerra Fria 2.0 iniciada pelo ex-presidente americano Donald Trump. Do lado americano, participam o secretário de Estado e chefe da diplomacia, Antony Blinken, e o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan. Pequim também enviará dois nomes de peso: Yang Jiechi, autoridade do Partido Comunista encarregada das relações exteriores e que atua frequentemente como enviado de Xi Jinping, e Wang Yi, ministro das Relações Exteriores. Os representantes chineses são os mais altos diplomatas do país e homens de confiança do dirigente. A participação deles reflete a importância que Pequim dá à reconstrução dos laços com os americanos. O encontro será em Anchorage, a maior cidade do Alasca e um ponto geográfico no meio caminho para os dois lados. Apesar de fazer parte do território americano, está longe dos holofotes da mídia global. “Era importante para nós que o primeiro encontro deste governo com autoridades chinesas fosse realizado em solo americano”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki. Blinken participa da reunião após uma viagem com o secretário de Defesa dos EUA, Llyod Austin, aos aliados asiáticos Japão e Coreia do Sul —depois, Austin segue sozinho para uma visita à Índia. O presidente Joe Biden realiza ainda uma reunião virtual na sexta (12) com os premiês de Austrália, Índia e Japão —três países que tiveram atritos recentes com a China. Segundo o secretário de Estado americano, o encontro é uma chance de expor em termos francos as preocupações de Washington com Pequim. Em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Blinken disse ainda que tratará de uma série de questões com os chineses. Este será um primeiro tête-à-tête entre autoridades de alto nível dos dois países desde que Biden tomou posse, em 20 de janeiro. A última vez que enviados americanos e chineses se encontraram foi quando o secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo, reuniu-se com Yang, em junho do ano passado, no Havaí. O presidente dos EUA, no entanto, já falou por telefone com Xi, no dia 10 de fevereiro. Na ligação, segundo a Casa Branca, Biden "ressaltou suas preocupações fundamentais sobre as práticas econômicas coercitivas e injustas de Pequim, a repressão em Hong Kong, os abusos de direitos humanos em Xinjiang e as ações cada vez mais assertivas na região, inclusive em relação a Taiwan". Xi, entretanto, disse a Biden que Hong Kong, Xinjiang e Taiwan são questões de "soberania e integridade territorial" que ele espera que Washington aborde com cautela. Na ligação, o dirigente chinês afirmou ao americano que confrontos entre os dois países seriam um desastre e que os dois lados deveriam restabelecer os meios de evitar julgamentos equivocados, de acordo com o relato da conversa feito pelo Ministério das Relações Exteriores da China. A restauração do diálogo entre os dois países e a cooperação mútua formariam a única escolha correta, disse Xi. "Você disse que a América pode ser definida em uma palavra: possibilidades. Esperamos que as possibilidades apontem agora para uma melhoria das relações China-EUA", disse o dirigente chinês. Do lado americano, o reconhecimento da importância da relação com Pequim foi expresso pelo secretário de Estado, Antony Blinken, que a descreveu como “provavelmente a mais importante no mundo”. Wang, por sua vez, destacou o valor desses laços na entrevista coletiva anual do Ministério das Relações Exteriores, realizada no último fim de semana, ao afirmar que a China estava pronta para cooperar com os EUA em uma grande gama de questões. Hong Kong, Taiwan e Xinjiang, no entanto, são assuntos de Pequim e estão fora de qualquer discussão, disse o diplomata, segundo o South China Morning Post. Especialistas ouvidos pelo South China Morning Post destacaram a importância do encontro para que os países acertem os ponteiros. A gestão Biden já indicou que pretende manter uma postura firme com a China, mas buscará medidas mais focadas, como restrições específicas a exportações de tecnologias consideradas sensíveis. Também deu sinais de que, ao menos por enquanto, não removerá tarifas comerciais impostas por Trump. O governo Trump adotou uma postura de enfrentamento contra a China, que incluiu uma guerra comercial e acusações de que o país asiático foi o responsável pelo surgimento da Covid-19. Também foram impostas sanções contra funcionários e empresas chinesas considerados ameaças à segurança dos EUA.