China entrega aos EUA proposta para coexistência no Pacífico

A China entregou aos EUA um plano para a coexistência na região da Ásia-Pacífico, no momento em que as duas maiores economias do mundo continuam a entrar em conflito em relação a questões de segurança na região.

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O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que fez a proposta a seu colega americano, Antony Blinken, em uma reunião de cinco horas em Bali no fim de semana, após a cúpula de chanceleres do G20. Wang deu os detalhes da proposta em discurso ao secretariado da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Jacarta, nesta segunda-feira.

— Eu disse aos EUA muito solenemente que nossos dois lados deveriam considerar discutir o estabelecimento de regras para interações positivas na Ásia-Pacífico e defender conjuntamente o regionalismo aberto — disse Wang. — Estamos ansiosos pelo feedback dos EUA à proposta chinesa.

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Wang identificou as “regras” sugeridas pela China como sendo: apoiar a centralidade da Asean e defender as estruturas de cooperação regional existentes; respeitar os direitos e interesses legítimos de cada um na região da Ásia-Pacífico; e promover a estabilidade ao mesmo tempo em que as duas potências fornecem “mais bens públicos” à região.

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— Se a China e os EUA puderem ter interações sólidas na Ásia-Pacífico, isso poderá ajudar a liberar energia positiva e também atender às expectativas de todos os países da região — acrescentou, dizendo que alcançar tudo isso depende de os EUA superarem sua “mentalidade hegemônica”.

A Embaixada dos EUA em Pequim não respondeu a um pedido de comentário.

A China e os EUA estão cada vez mais competindo por influência no Pacífico, onde Pequim mantém disputas territoriais com aliados de Washington. Autoridades chinesas também afirmaram recentemente que as águas do Estreito de Taiwan não são internacionais, desafiando a visão de Washington sobre o direito internacional. Em seu discurso, Wang descreveu a questão de Taiwan, democraticamente governada e considerada por Pequim parte do território soberano da China, como “o núcleo dos principais interesses da China”.

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No contexto da disputa, o presidente americano, Joe Biden, sediou a primeira cúpula de líderes da Asean em Washington, em seus 55 anos de História, em maio, e pouco depois divulgou sua proposta de Estratégia Econômica para o Indo-Pacífico, pela qual os EUA buscam limitar a influência regional da China.

Wang está atualmente em uma blitz diplomática de 11 dias no principal campo de batalha estratégico, buscando aplacar as desconfianças regionais sobre as intenções da China e enfatizando os benefícios econômicos compartilhados por Pequim e os países vizinhos. A invasão da Ucrânia pela Rússia alimentou temores de que Pequim poderia iniciar uma ação militar para a reincorporação de Taiwan ao seu comando.

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Além da proposta para os EUA, Wang divulgou no fim de semana quatro exigências à Austrália para retomar as relações. A proposta foi rapidamente rejeitada pela Austrália, com o primeiro-ministro recém-empossado Anthony Albanese dizendo que a nação “não responde a exigências”.

A maioria das nações asiáticas tem procurado manter boas relações com as duas potências. O secretário de Defesa, Lloyd Austin, disse em um fórum de segurança em Cingapura, no mês passado, que as nações menores deveriam ser “livres para escolher, livres para prosperar e livres para traçar seu próprio curso”.

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Wang abordou essa questão em seu discurso, dizendo que muitos países da Asean estavam “sob pressão” para tomar partido.

— Devemos isolar esta região dos cálculos geopolíticos e evitar que os países sejam usados ​​como peças de xadrez na rivalidade das grandes potências — acrescentou.

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