China espera que governo brasileiro tome decisões de forma independente e autônoma sobre o 5G

Eliane Oliveira
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BRASÍLIA - Em mais uma reação à tentativa dos Estados Unidos de excluírem a empresa chinesa Huawei da infraestrutura de rede 5G no Brasil, a embaixada da China divulgou uma nota, nesta quarta-feira, em que afirma que Washington tenta atrapalhar a parceria sino-brasileira.

No comunicado, o governo chinês afirma esperar que as autoridades brasileiras tomem decisões de forma "independente e autônoma", com a criação de regras de mercado e ambiente de negócios com parâmetros abertos, imparciais e não discriminatórios para empresas da China e de outras nacionalidades.

"A China e o Brasil são parceiros estratégicos globais e sua cooperação é sempre baseada no respeito recíproco, igualdade e benefício mútuo", diz um trecho da nota.

A nota relembra a visita ao Brasil de Keith Krach, subsecretário de crescimento econômico, energia e meio ambiente do Departamento de Estado dos EUA. Destaca que Krach fez, nesta quarta-feira, acusações mal-intencionadas sobre a segurança da tecnologia 5G da China e espalhou mentiras políticas contra o país asiático e empresas chinesas.

"São alegações que desrespeitam os fatos básicos. O seu objetivo real é caluniar a China e tentar implantar distúrbios na parceria sino-brasileira".

Mais cedo, o embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, usou sua conta em uma rede social para dizer que Krach era "cheio de mentiras e desavergonhado". O alto funcionário americano disse que os países aliados precisam se unir para proteger dados e interesses de segurança nacional do "estado de vigilância do Partido Comunista Chinês e de outras entidades malignas".

Para a embaixada da China, os EUA, na verdade, trabalham com uma "rede suja", "sinônimo de abuso do pretexto da segurança nacional para promover guerra fria tecnológica e bullying digital". A nota ressalta que, durante muito tempo, Washington conduziu, em larga escala, e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, empresas e indivíduos estrangeiros, além de líderes de organismos internacionais.

"Defensora da cibersegurança, a China propôs a Iniciativa Global sobre Segurança de Dados e sempre busca promover uma cooperação de governança global sobre o assunto, seguindo o princípio de consultas extensivas, contribuições conjuntas e benefícios compartilhados", destaca a nota, esclarecendo que não há qualquer legislação na China que exija as empresas a colaborar com a espionagem cibernética.

Em defesa da Huawei, o governo chinês ressalta que a empresa é a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicação no mundo, líder em 5G e tem mantido um excelente histórico de segurança. A companhia estaria disposta a assinar com qualquer país um acordo de "anti-backdoor". O "backdoor" é um programa malicioso, que tem acesso não autorizado a um sistema explorando as vulnerabilidades de segurança e é bastante difícil de ser detectado.

"Os ataques que um pequeno número de políticos americanos fizeram contra a China são infundados e caluniosos. Seu objetivo não é, de forma alguma, salvaguardar a segurança nacional ou a dos dados de outros países, mas cercear as empresas chinesas de alta tecnologia, coagir outras nações a sacrificar seus próprios interesses, servir ao "America First" e manter seu monopólio tecnológico".