China e EUA retomam negociações comerciais

Por Patrick BAERT
Membros da equipe de negociadores americanos deixam hotel em Pequim

Chineses e americanos devem retomar, nesta segunda-feira (11), suas negociações comerciais, enquanto o FMI alerta para o risco de uma "tempestade" sobre a economia mundial relacionada, em parte, ao aumento das taxas alfandegárias ordenadas por Pequim e Washington.

Faltando menos de três semanas para o prazo estipulado por Donald Trump antes de uma nova rodada de sanções comerciais contra a China, seu vice-representante para o Comércio, Jeffrey Gerrish, chegou a Pequim para participar de negociações preliminares.

Gerrish, que participou das negociações no início de janeiro na capital chinesa, deixou seu hotel em Pequim no início desta manhã sem fazer declarações à imprensa.

O início das discussões não foi confirmado por fontes chinesas ou americanas.

Esse diálogo deve preceder as reuniões marcadas para quinta e sexta-feira em Pequim entre os principais negociadores: o representante comercial Robert Lighthizer e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, do lado dos Estados Unidos; e o vice-primeiro-ministro, Liu He, e o presidente do banco central, Yi Gang, do lado chinês.

As discussões realizadas no mês passado em Washington conduziram a uma reunião entre Liu He e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Mas apesar de o encontro ter inspirado otimismo, Washington alertou na semana passada que "ainda há muito trabalho" antes que as duas maiores potências econômicas do mundo consigam superar suas múltiplas diferenças.

Donald Trump, que anunciou que "num futuro próximo" se encontraria com o presidente chinês, Xi Jinping, indicou, porém, que não planeja uma reunião antes do início de março.

Em uma reunião realizada no início de dezembro na Argentina, os dois líderes definiram o prazo de 1º de março para chegar a um acordo negociado.

Após essa data, as taxas aduaneiras sobre o equivalente a 200 bilhões de dólares em importações anuais chinesas aumentarão de 10% para 25%.

Além disso, Washington exige que a China acabe com práticas consideradas injustas, como a transferência forçada de tecnologia americana, o "roubo" de propriedade intelectual, pirataria e subsídios maciços a empresas estatais chinesas para torná-las líderes nacionais.

Neste conflito, as duas potências disputam o domínio do setor de alta tecnologia.

"A tecnologia é a vantagem mais importante que os americanos têm, somos inovadores, somos excelentes em nível tecnológico", disse Robert Lighthizer no começo de dezembro.

A perspectiva de um agravamento da guerra comercial pesa sobre os mercados financeiros, que temem as consequências para a economia mundial.

Uma hipótese que também preocupa Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), que advertiu no domingo em Dubai contra uma possível "tempestade" econômica em nível global.

Lagarde falou sobre o que chamou de "quatro nuvens" que pairam sobre a economia mundial: as tensões comerciais, o ajuste de taxas, as incertezas relacionadas ao Brexit e a desaceleração da economia chinesa.

Segundo Lagarde, as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos começaram a afetar a economia global. "Quando há muitas nuvens, só é preciso um raio para desencadear a tempestade", disse Lagarde.