China expressa oposição a negociações comerciais entre EUA e Taiwan

A China expressou nesta quinta-feira forte oposição a negociações comerciais entre EUA e Taiwan, ilha autônoma que Pequim considera parte de seu território. Na quarta-feira, Washington e Taipé haviam anunciado "um avanço histórico" na cooperação econômica entre EUA e Taiwan.

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— A China se opõe de modo veemente a qualquer forma de intercâmbio oficial entre qualquer país e Taiwan, incluindo a negociação e assinatura de um acordo econômico e comercial com conotações soberanas e caráter oficial — disse o porta-voz do Ministério do Comércio, Gao Feng, a repórteres, um dia após o anúncio do começo de negociações comerciais entre Taiwan e EUA.

A China considera Taiwan como uma de suas províncias, embora não controle este território insular de 24 milhões de habitantes. A ilha possui seu próprio governo, moeda e exército, mas nunca declarou formalmente sua independência. Se isso acontecer, a China ameaça recorrer à força. Atualmente, o gigante asiático se opõe a qualquer contato oficial entre Taiwan e outros países.

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Mas Washington e Taipé desafiaram Pequim na quarta-feira, quando a vice-representante de Comércio dos EUA, Sarah Bianchi, e o ministro (sem pasta) de Taiwan John Deng, se encontraram virtualmente. Segundo Deng, as discussões abriram "mais possibilidades de cooperação econômica".

—Podemos dizer que é um avanço histórico — acrescentou ele, nesta quinta-feira, durante uma entrevista coletiva em Taipei.

Uma primeira reunião sobre o acordo, que prevê ações em várias áreas de comércio, está prevista "para este mês em Washington e sob os auspícios do Tecro", o escritório de representação econômica e cultural de Taipei nos EUA, e do Instituto Americano de Taiwan. Na ausência de relações diplomáticas formais, o Tecro representa os interesses de Taiwan nos EUA e funciona como uma embaixada de fato.

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O anúncio das negociações entre o governo americano e Taiwan aconteceu dois dias depois que 30 aviões chineses entraram na zona de defesa aérea da ilha. Nesta quinta, o porta-voz chinês pediu que os EUA "se abstenham de enviar um sinal errôneo aos separatistas" que desejam a independência de Taiwan.

EUA e Taiwan estão vinculados desde 1994 por um "marco" de comércio e investimentos.

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O governo americano não reconhece Taiwan de maneira oficial, como a maioria dos países. Mas Washington apoia fortemente o status "democrático". Taipé também aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2002, o que contribuiu para o crescimento do comércio bilateral.

Os EUA são o maior parceiro e fornecedor de armas de Taiwan. O próximo passo na relação econômica seria um acordo comercial formal, jamais concretizado devido ao complexo contexto político.

Desde o fim da guerra civil na China em 1949, Taiwan é governada por um regime que se opõe ao executivo comunista. Como governos anteriores, o presidente chinês Xi Jinping quer "reunificar" Taiwan com "a pátria" e não exclui o uso da força para conseguir isso.

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