China impõe restrições de circulação a Coreia do Sul e Japão diante de disputa sobre Covid-19

Funcionários usando máscaras trabalham em fábrica em Pequim

Por Yew Lun Tian e Brenda Goh

PEQUIM (Reuters) - A China aplicou restrições de circulação para cidadãos sul-coreanos e japoneses nesta quarta-feira, em uma crescente disputa diplomática sobre as restrições da Covid-19 que tem prejudicado a reabertura da segunda maior economia do mundo após três anos de isolamento.

A China removeu no domingo a exigência de quarentena para viajantes que chegam, um dos últimos vestígios do regime de restrições à Covid mais rígido do mundo, o qual Pequim começou a revogar abruptamente no início de dezembro, após protestos históricos.

Mas as preocupações com a escala e o impacto do surto na China, onde o vírus está se espalhando sem controle, têm levado mais de uma dúzia de países a exigir testes de Covid negativos de pessoas que chegam da China.

Entre eles, Coreia do Sul e Japão também têm limitado voos e exigido testes na chegada, e os passageiros com resultado positivo estão sendo colocados em quarentena. Na Coreia do Sul, a quarentena é por conta do viajante.

Em resposta, as embaixadas chinesas em Seul e Tóquio informaram na terça-feira que suspenderam a emissão de vistos de curto prazo para viajantes com destino à China, com o Ministério das Relações Exteriores chinês classificando as exigências de testagem como "discriminatórias".

A medida levou a um protesto oficial do Japão à China, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Park Jin, disse que a decisão de Seul é baseada em evidências científicas, não discriminatória e que as contramedidas da China são "profundamente lamentáveis".

Em um sinal de escalada das tensões nesta quarta-feira, a autoridade de imigração chinesa suspendeu suas isenções de visto de trânsito para sul-coreanos e japoneses.

A discussão também pode afetar as relações econômicas entre os três vizinhos.

A operadora de loja de departamentos japonesa Isetan Mitsukoshi Holdings e a de supermercado Aeon Co disseram que, dependendo da duração da suspensão, talvez tenham que repensar as transferências de pessoal para a China.

"Não poderemos fazer viagens de curto prazo a trabalho, mas viagens desse tipo diminuíram durante a Covid de qualquer maneira, então não esperamos um impacto imediato. Mas se a situação durar muito, haverá um efeito", disse uma fonte da indústria de chips sul-coreana que não quis ser identificada, já que não estava autorizada a falar com a imprensa.

A China exige testes com resultado negativo de visitantes de todos os países.

Alguns dos governos que anunciaram restrições aos viajantes que chegam da China citaram preocupações com a transparência dos dados de Pequim.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem dito que a China está subnotificando os óbitos.

As autoridades de saúde chinesas reportaram cinco mortes ou menos por dia no mês passado, números inconsistentes com as longas filas observadas nas funerárias. Na terça-feira, pela primeira vez, eles não divulgaram os dados de mortes por Covid.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China e a Comissão Nacional de Saúde não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Embora especialistas internacionais em saúde tenham previsto pelo menos um milhão de mortes relacionadas à Covid neste ano, a China registrou pouco mais de 5.000 desde o início da pandemia, uma fração do que outros países têm reportado à medida que reabrem suas economias.

A China diz que tem sido transparente com seus dados.

(Reportagem adicional da redação de Pequim; Kaori Kaneko, Mari Shiraki e Elaine Lies em Tóquio; Joyce Lee, Hyunsu Yim e Heekyong Yang em Seul)