China minimiza surto de Covid em meio a feriado movimentado do Ano Novo Lunar

Viajantes esperam por seus trens na estação de Hangzhou, na província chinesa de Zheijang

Por Liz Lee e Alessandro Diviggiano

PEQUIM (Reuters) - Pessoas em toda a China se aglomeravam em trens e ônibus para um dos dias mais movimentados de viagens em anos, nesta sexta-feira, alimentando temores de agravamento de um surto de Covid-19 que as autoridades dizem ter atingido seu pico.

Em comentários relatados pela mídia estatal na quinta-feira, a vice-primeira-ministra Sun Chunlan afirmou que o vírus estava em um nível "relativamente baixo", e autoridades de saúde disseram que o número de pacientes com Covid em hospital e em condições críticas estava diminuindo.

Mas há dúvidas generalizadas sobre o relato oficial da China sobre um surto que sobrecarregou hospitais e funerárias desde que Pequim abandonou os rígidos controles de Covid e testes em massa no mês passado.

Essa reviravolta na política, que se seguiu a protestos históricos contra as duras restrições antivírus do governo, alastrou a Covid em uma população de 1,4 bilhão que havia sido amplamente protegida da doença desde que o vírus surgiu na cidade de Wuhan no final de 2019.

Alguns especialistas em saúde preveem que mais de um milhão de pessoas morram da doença na China este ano, com a empresa de dados de saúde britânica Airfinity dizendo que as mortes por Covid podem atingir 36.000 por dia na próxima semana.

"Recentemente, a pandemia geral no país está em um nível relativamente baixo", disse Sun em comentários divulgados pela agência de notícias estatal Xinhua.

"O número de pacientes críticos nos hospitais está diminuindo constantemente, embora a missão de resgate ainda seja pesada."

Seus comentários foram feitos na véspera de um dos dias de viagem mais frenéticos na China desde que a pandemia eclodiu no final de 2019, conforme milhões de moradores viajam para suas cidades natais para o feriado do Ano Novo Lunar, que começa oficialmente no sábado.

Mais de 2 bilhões de viagens devem ocorrer na China entre 7 de janeiro e 15 de fevereiro, estima o governo.

Passageiros entusiasmados carregados de bagagens e caixas de presentes embarcaram em trens nesta sexta-feira, rumo às tão esperadas reuniões familiares.

"Todo mundo está ansioso para ir para casa. Afinal, não vemos nossas famílias há tanto tempo", disse Li, de 30 anos, à Reuters na estação ferroviária oeste de Pequim.

Mas, para outros, o feriado é um lembrete de entes queridos perdidos.

Gu Bei, uma escritora de Xangai, disse na plataforma de mídia social Weibo que estava esperando quase duas semanas para que sua mãe fosse cremada e que a funerária não poderia dizer a ela quando o serviço seria agendado.

O regulador da internet da China disse nesta semana que censuraria qualquer "informação falsa" sobre a propagação do vírus que pudesse causar um sentimento "sombrio" durante as festividades do Ano Novo Lunar.

"Ouvi dizer que palavras obscuras e sombrias não são permitidas durante o ano novo. Então deixe-me lamentar por minha mãe agora", disse Gu em seu post, que não especificou a causa da morte.

Os gastos das funerárias em itens como sacos para cadáveres e fornos de cremação aumentaram em muitas províncias, mostram documentos, uma das várias indicações do número mortal de Covid.