China mira mais desafios em setor imobiliário e crise de energia

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(Bloomberg) -- A crise do setor imobiliário e a escassez de eletricidade na China pesaram sobre o crescimento econômico do país no terceiro trimestre, e há sinais de mais obstáculos à frente com a chegada do inverno e contínuas restrições ao mercado de imóveis.

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O PIB da China cresceu 4,9% na comparação anual, informou o Escritório Nacional de Estatísticas na segunda-feira, depois da expansão de 7,9% no trimestre anterior, em grande parte em linha com as projeções de economistas.

O governo de Pequim sinalizou que não tem pressa em estimular a economia, sugerindo que a desaceleração do crescimento pode continuar nos próximos meses. Isso significa que a demanda do país por commodities usadas na construção poderia cair ainda mais.

A desaceleração foi em grande parte resultado de uma tentativa do governo chinês de reduzir os riscos financeiros ao frear o ritmo de empréstimos ao setor imobiliário, que responde por até 25% do PIB levando em conta segmentos relacionados. A crise de dívida da incorporadora China Evergrande contribuiu para agravar a situação do setor, com queda das vendas de terrenos e maior risco de contágio.

Ao mesmo tempo, autoridades aumentaram os controles sobre a dívida de governos locais, que apoiam investimentos em infraestrutura, e a crise de energia que atingiu a economia no mês passado obrigou fábricas a limitar ou interromper a produção.

“O cenário continua vulnerável com a escassez de energia e restrições ao mercado imobiliário”, disse Raymond Yeung, economista-chefe para a Grande China do Australia & New Zealand Banking, que cortou a previsão de crescimento para 2021 de 8,3% para 8%. O presidente da China, Xi Jinping, disse que “leva muito a sério as reformas, mesmo às custas dos números do PIB”.

A expectativa era de desaceleração do crescimento no terceiro trimestre devido à base de comparação mais alta há um ano. No entanto, a gravidade da crise de energia e desaquecimento do setor imobiliário surpreenderam economistas, levando muitos a rebaixarem as projeções para o PIB anual. O presidente do Banco Popular da China, Yi Gang, disse no domingo que a recuperação permanece intacta, embora o ritmo de crescimento seja um pouco mais “moderado”. Ele projeta expansão de cerca de 8% este ano, superando a meta oficial do governo de Pequim, acima de 6%.

Os dados de segunda-feira mostraram que a produção de commodities relacionadas à construção, como aço e cimento, caiu em setembro em relação ao mês anterior. Um amplo indicador de investimentos em ativos fixos, como imóveis e infraestrutura, mostrou queda de 2,5% em setembro em relação ao ano anterior, com o setor imobiliário exercendo o maior peso, de acordo com análise do JPMorgan Chase.

Além da desaceleração do mercado imobiliário, o déficit nacional de carvão provocou queda da produção de eletricidade em setembro na comparação mensal, o que levou usinas em mais de 20 províncias a reduzirem o volume produzido ou fechar completamente.

“O lado do investimento na demanda está muito fraco, e o impacto da crise de energia no lado da oferta também é bastante forte”, disse Helen Qiao, economista-chefe para Grande China do Bank of America, em entrevista à Bloomberg TV. O crescimento do quarto trimestre deve desacelerar para 3% a 4%, disse.

Do lado positivo, as exportações dispararam em setembro, enquanto o crescimento das vendas no varejo melhorou em relação ao mês anterior, já que autoridades afrouxaram as regras introduzidas em agosto para controlar surtos esporádicos de coronavírus. A taxa de desemprego teve leve queda.

Como resultado, “o governo pode não sentir urgência de lançar estímulos e impulsionar o crescimento”, disse Zhang Zhiwei, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

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