China multa Didi, dona da 99, em US$ 1,2 bilhão e cita falha em cibersegurança

A China multou a Didi em mais de 8 bilhões de yuans (US$ 1,2 bilhão), encerrando uma investigação que se estendeu ao longo de um ano sobre a gigante que se tornou o símbolo da campanha de Pequim para controlar sua poderosa indústria de internet. É a maior multa a uma empresa de tecnologia desde o início deste movimento.

Reguladores também multaram o presidente do conselho da Didi, Cheng Wei, e o presidente da empresa, Jean Liu, em 1 milhão de yuans cada um, disse a Administração do Ciberespaço da China em nota. A avaliação é que a Didi violou três leis, e que as operações ilegais ameaçam a segurança nacional, segundo o órgão regulador.

A esperada decisão a respeito da Didi - que levou adiante uma oferta pública inicial de ações de US$ 4,4 bilhões em junho do ano passado contra a vontade de Pequim - remove parte da incerteza que em um determinado momento chegou a varrer mais de 80% de seu valor de mercado.

'Prometer uma coisa, fazer o oposto'

O anúncio sinaliza que o pior pode ter passado para a empresa. E também reforça as expectativas de que Pequim esteja "pegando mais leve" co o setor de tecnologia no momento que a economia perde fôlego sob o peso das restrições contra a Covid e a inflação global.

Os principais aplicativos da Didi devem reaparecer agora nas lojas de apps da China, permitindo que a gigante do serviço de caronas volte a adicionar usuários e a crescer.

"Nossa investigação descobriu que as ações da Didi na gestão de dados afetaram gravemente a segurança nacional. Ela também deixou de cumprir com nossas demandas específicas e evitou a supervisão, entre outras infrações", escreveu a agência em nota, usando um ditado chinês que acusa a Didi de "prometer uma coisa, mas fazer o oposto".

As penalidades ficaram aquém dos piores temores dos observadores da indústria, que esperavam que os executivos ou a empresa sofressem punição mais dura. Didi foi uma das empresas no centro de uma repressão à indústria de internet que Pequim iniciou em 2020, quando o país interrompeu o IPO da Ant.

Plano de lançar ações em Hong Kong

A ferocidade com que os reguladores foram em cima da Didi, o que inclui forçar a empresa a sair da Bolsa depois de um elogiado IPO - significa que os investidores podem se mostrar hesitantes em declarar o fim das dores da indústria de internet no país.

"O desprezo do governo pelo capital dos investidores na sua punição à Didi e a gigantesca destruição de valor causada pela investigação não são coisas que serão facilmente esquecidas", disse Vey-Sern Ling, diretor-gerente da Union Bancaire Privee em Cingapura. "O encerramento da investigação pode trazer algum alívio, mas ainda permanece algo a ser visto se o negócio da Didi pode se recuperar".

A Didi disse em nota que vai "aceitar e obedecer" a decisão dos reguladores enquanto trabalha com a agência para completar a retificação.

A empresa, que já foi festejada como a campeã nacional que tirou a Uber da China, se tornou desde então um retrato de como Pequim está disposto a cortar o poder e a influência de suas mais bem-sucedidas corporações na internet.

A provação da Didi começou em julho de 2021 - dias depois de sua estreia na Bolsa de Nova York. O órgão regulador de cibersegurança da China acusou a companhia de violar regras de dados e ordenou que mais de duas dúzias de aplicativos, inclusive aqueles para transporte de carro, tivessem o download suspenso. A empresa, que foi forçada a sair das bolsas americanas durante a investigação, deve preparar um lançamento de ações em Hong Kong.

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