China nega existência de "esquadras ilegais" no estrangeiro

Por toda a Europa surgem novas denúncias de que a China está a vigiar e a silenciar ilegalmente os opositores políticos no estrangeiro.

O canal de notícias holandês RTL Nieuws revelou que há duas "esquadras de polícia ilegais" chinesas a funcionar nos Países Baixos desde 2018.

Estas supostas esquadras - localizadas em Amesterdão e Roterdão - não terão sido registadas junto do governo holandês.

De acordo com a investigação, realizada em conjunto com a plataforma independente de jornalistas Follow the Money, estes postos não oferecem assistência diplomática aos cidadãos chineses.

Em vez disso, denuncia que Pequim está a utilizar estes postos para pressionar dissidentes, recorrendo a antigos militares e agentes dos serviços secretos como empregados.

Este não é o primeiro relatório do género sobre a vigilância chinesa na Europa.

No mês passado, a organização não-governamental espanhola Safeguard Defenders divulgou que foram criadas pelo menos 36 "esquadras de polícia" chinesas na Europa, incluindo em França, Itália, Portugal, e Espanha.

Pequim rejeitou as acusações. O governo chinês afirmou que os relatórios destas "esquadras de polícia ilegais" são "completamente falsos" e que os postos obedecem ao direito internacional.

Um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros disse aos jornalistas que os "postos" ajudam os cidadãos chineses a renovar a carta de condução ou a comunicar alterações no estado civil, porque "devido ao impacto da pandemia de Covid-19, muitos cidadãos chineses estrangeiros não podem regressar à China a tempo."

A China diz também que os organismos de segurança pública "respeitam plenamente a soberania judicial de outros países."

Os serviços diplomáticos descritos pela China são geralmente realizados por embaixadas ou consulados reconhecidos ao abrigo da Convenção de Viena - um tratado internacional assinado por mais de cem países, incluindo a China e os Países Baixos.

Na sequência destas últimas reportagens, o ministério holandês dos Negócios Estrangeiros revelou que está a investigar as informações de forma séria, considerando que este género de "esquadras de polícia" é ilegal.