China pede ajuda para conter novo coronavírus

Por Patrick BAERT
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Duas pessoas protegidas com máscaras observam a Cidade Proibida de Pequim do parque Jingshan, em 2 de fevereiro de 2020

O governo chinês, que começa a ficar sobrecarregado pela epidemia do novo coronavírus, pediu uma ajuda urgente de máscaras, óculos e roupas de proteção, enquanto o número de mortos chegou a 361, excedendo o saldo da Sars em 2003.

"O que a China precisa urgentemente é de máscaras, trajes e óculos de proteção", declarou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Vários países, incluindo França, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, já enviaram material médico para a China, acrescentou a porta-voz.

Enquanto isso, o país segue paralisado pelo medo do vírus que já contaminou mais de 17.000 pessoas. Nesta segunda-feira, o Ministério da Indústria reconheceu que, após o longo feriado do Ano Novo Lunar concluído no domingo, as fábricas retomaram a produção e trabalham com 70% da capacidade.

As autoridades de saúde chinesas registraram 57 mortes nas últimas 24 horas, no pior saldo diário desde que o novo coronavírus foi detectado em dezembro em Wuhan, capital da província de Hubei.

Atualmente, a China continental (sem contar Hong Kong e Macau) já contabilizou mais mortes dos que as 349 causadas pela epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) em 2002-2003.

A SARS, que infectou cerca de 5.300 pessoas em vários países, deixou um saldo total de 774 mortos, principalmente em Hong Kong.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já declarou uma emergência internacional devido à atual epidemia, reportou nas Filipinas a primeira vítima fatal do novo coronavírus fora da China, um homem de 44 anos de Wuhan.

- Estigma -

A maioria das mortes e infecções está concentrada em Hubei, onde cerca de 56 milhões de habitantes estão isolados do mundo desde 23 de janeiro e têm severas restrições ao deixar suas casas, na tentativa de conter a propagação.

Seus habitantes se sentem discriminados e sob constante suspeita.

Lucy Huang, uma cineasta documentarista de 26 anos que vive em Pequim e nasceu em Wuhan, diz se sentir "muito ferida". "Nosso inimigo é o vírus, não deveria ser a população de Hubei, ou Wuhan", disse à AFP.

Na imensa cidade industrial de Wenzhou, a cerca de 800 quilômetros de Wuhan, colocada em quarentena, seus nove milhões de habitantes receberam ordens de que apenas um residente por família pode sair a cada dois dias para comprar itens de primeira necessidade.

Os centros médicos de Wuhan estão sobrecarregados e, nesta segunda-feira, foi inaugurado um hospital construído em um tempo recorde de dez dias. Um maior, com 1.600 leitos, está em construção.

Em Hong Kong, onde 15 casos foram confirmados, centenas de funcionários de hospitais públicos entraram em greve nesta segunda-feira para exigir o fechamento da fronteira com a China continental, a fim de reduzir o risco de propagação.

- Impacto econômico -

O coronavírus também tem tido um impacto econômico cada vez mais forte, devido ao fechamento de negócios na China, à suspensão de viagens internacionais e ao impacto nas linhas de produção.

As bolsas de valores de Xangai e Shenzhen caíram acentuadamente em 8% no retorno dos investidores das férias prolongadas do Ano Novo Lunar.

As empresas de cruzeiros decidiram proibir a presença em seus navios de passageiros, ou tripulantes, que viajaram para a China nos últimos 14 dias, anunciou a International Cruise Lines Association (CLIA), sediada em Hamburgo.

Já a companhia aérea alemã Lufthansa anunciou nesta segunda que vai estender a suspensão de seus voos para a China: até 28 de fevereiro, para Pequim e Xangai, e até 28 de março, para Nanquim, Shenyang e Qingdao.

Vários países multiplicaram medidas de proteção e repatriaram seus cidadãos da China.

Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Guatemala e El Salvador, entre outros, proibiram a visita de estrangeiros que estiveram na China recentemente e também alertaram seus próprios cidadãos para evitar viagens ao território chinês.

A China criticou duramente os Estados Unidos nesta segunda-feira por ter iniciado as restrições e acusou Washington de "criar e semear pânico".

"Não nos deu nenhuma ajuda substancial por enquanto", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em referência a Washington.

A Rússia anunciou nesta segunda-feira que expulsará os estrangeiros infectados com o novo coronavírus.

Mongólia, Rússia e Nepal fecharam suas fronteiras terrestres.

Os países do G7 - Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos - já têm casos de contágio. Os sete países discutirão uma resposta conjunta.

O governo britânico também anunciou que fornecerá assistência financeira para o desenvolvimento de uma vacina.