China pede contenção militar às vésperas de comemoração na Coreia do Norte

Por Michael Martina e Sue-Lin Wong
Ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Pequim. 18/03/2017 REUTERS/Lintao Zhang/Pool

Por Michael Martina e Sue-Lin Wong

PEQUIM/PYONGYANG (Reuters) - A força militar não pode resolver a tensão relativa à Coreia do Norte, disse a China nesta quinta-feira, quando um jornal chinês influente exortou o regime norte-coreano a interromper o programa nuclear em troca de proteção de Pequim.

Diante da aproximação de um porta-aviões dos Estados Unidos e do aumento da tensão na região a, a Coreia do Sul disse acreditar que os EUA irão consultar Seul antes de qualquer ataque preventivo contra o Norte.

Vêm crescendo os temores de que a reclusa Coreia do Norte realize em breve seu sexto teste nuclear ou mais lançamentos de mísseis, mesmo desafiando sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e alertas contundentes de Washington de que sua política de paciência com Pyongyang acabou.

A China, única grande aliada e benfeitora da Coreia do Norte, que apesar disso se opõe a seu programa de armas, pediu conversas que levem a uma resolução pacífica e à desnuclearização da península.

"A força militar não pode resolver o assunto", disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, aos repórteres em Pequim.

"Em meio ao desafio há uma oportunidade. Em meio às tensões também encontraremos um tipo de oportunidade para voltar às conversas".

Embora o presidente norte-americano, Donald Trump, tenha alertado Pyongyang de que não irá tolerar qualquer provocação, autoridades dos EUA disseram que o governo está focando sua estratégia em sanções econômicas mais severas.

Trump desviou o porta-aviões USS Carl Vinson para a península coreana, manobra que pode levar mais de uma semana, como demonstração de força com a meta de desestimular outro teste nuclear norte-coreano ou o disparo de mais mísseis para coincidir com eventos e aniversários importantes.

A possibilidade de uma ação militar dos EUA ganhou corpo depois que a Marinha norte-americana disparou 59 mísseis Tomahawk contra uma base aérea da Síria na semana passada em reação a um ataque com gás letal.

Wang alertou que a história irá responsabilizar qualquer instigador.

"Quem quer que provoque a situação, quem quer que continue a causar problemas neste local terá que assumir a responsabilidade histórica", afirmou.

Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, conversaram por telefone na quarta-feira, poucos dias depois de se reunirem nos EUA pela primeira vez. No

Twitter, Trump disse que o telefonema com Xi foi uma discussão "muito boa" sobre a "ameaça da Coreia do Norte" e, mais tarde na quarta-feira, que seu país está preparado para lidar com a crise sem a China, se necessário.

(Reportagem adicional de Natalie Thomas em Pyongyang, Ju-min Park e James Pearson em Seul, Christian Shepherd em Pequim, Linda Sieg em Tóquio e Matt Spetalnick, David Brunnstrom e Jeff Mason em Washington)