China permite que Didi retome registro de novos usuários após 18 meses

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Por Julie Zhu e Yingzhi Yang

(Reuters) - A chinesa Didi Global foi autorizada pelos reguladores da China a retomar os registros de novos usuários para seus principais serviços de transporte por aplicativo a partir desta segunda-feira.

A empresa vinha aguardando a aprovação para retomar os registros de novos usuários e downloads em seus 25 aplicativos na China. O movimento é visto como um passo fundamental para a empresa retomar o curso normal de seus negócios, uma vez que enfrenta problemas com reguladores desde meados de 2021.

A Reuters informou na sexta-feira, citando fontes, que as autoridades chinesas deveriam dar o sinal verde para a Didi retomar os registros de novos usuários e downloads em seus aplicativos no país ainda esta semana.

"Nossa empresa cooperou seriamente com a revisão de segurança cibernética do país, lidou seriamente com os problemas de segurança encontrados na revisão e realizou retificações abrangentes por mais de um ano", afirmou a companhia em comunicado nesta segunda-feira.

A Didi também tomará medidas efetivas para garantir a segurança da plataforma e dos dados, e salvaguardar a segurança nacional do ciberespaço, acrescentou a companhia no comunicado.

O anúncio ocorre em momento no qual formuladores de políticas chineses buscam restaurar a confiança do setor privado e contar com a indústria de tecnologia para ajudar a estimular a atividade econômica, que foi devastada pela pandemia da Covid-19.

A Didi precisará que seu principal aplicativo e outros produtos voltem às lojas de aplicativos domésticas para conquistar novos usuários, embora a declaração não tenha mencionado especificamente isso.

A empresa, lançada em Pequim em 2012 e apoiada por investidores proeminentes, incluindo o Alibaba, Tencent e SoftBank, entrou em conflito com a poderosa Agência do Ciberespaço da China (CAC) quando, em 2021, avançou com sua listagem de ações nos Estados Unidos contra a vontade do regulador, disseram fontes anteriormente à Reuters.

A partir de então, os problemas regulatórios da Didi começaram: seus 25 aplicativos móveis foram retirados das lojas de aplicativos, os registros de novos usuários foram suspensos e a companhia recebeu uma multa de 1,2 bilhão de dólares por violações de segurança de dados.

A empresa pagou a multa no ano passado, a maior penalidade regulatória imposta a uma empresa de tecnologia chinesa desde que Alibaba e Meituan foram multados em 2,75 bilhões e 527 milhões de dólares, respectivamente, em 2021 pelo regulador antitruste, a Agência Estatal de Regulamentação do Mercado, disseram fontes à Reuters.

A Didi também foi forçada a encerrar sua jornada de 11 meses como uma empresa negociada na Bolsa de Valores de Nova York em junho do ano passado, transformando-a de uma garota-propaganda do boom da internet na China em uma das maiores vítimas da repressão regulatória de Pequim.

Os problemas regulatórios atingiram gravemente a Didi, diminuindo seu domínio e permitindo que serviços rivais de transporte operados pelas montadoras Geely e SAIC Motor ganhassem mercado em todo o país.