China pode estar cometendo genocídio contra os uigures, segundo Museu do Holocausto dos EUA

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Manifestantes da minoria uigur protestam em frente ao parlamento belga, durante uma votação para reconhecer o genocídio do grupo pela China, em julho de 2021 (AFP/Kenzo TRIBOUILLARD)

Novas evidências mostram que a China pode estar "cometendo genocídio" contra os uigures, disse o Museu do Holocausto dos Estados Unidos nesta terça-feira (9), na última acusação contra Pequim de cometer tal crime contra essa minoria.

Os Estados Unidos já declararam que as ações contra esse grupo predominantemente muçulmano e outras minorias na província chinesa de Xinjiang equivalem a genocídio, mas a alegação foi negada por Pequim.

O Museu do Holocausto dos Estados Unidos, que no ano passado afirmou que crimes contra a humanidade foram cometidos, destacou em um relatório casos de controle forçado de natalidade em uigures, assim como transferências forçadas para trabalhar em outras partes da China.

"Informações divulgadas recentemente indicam que a conduta do governo chinês vai além da política de assimilação forçada", disse o relatório.

"O Museu em memória do Holocausto dos Estados Unidos está profundamente preocupado com o fato do governo chinês estar cometendo genocídio contra os uigures", acrescentou.

O relatório observa, no entanto, que as determinações anteriores de genocídio foram baseadas em evidências de esforços para exterminar uma comunidade.

"Devido aos relatórios limitados sobre as mortes de uigures detidos, não há evidências suficientes neste momento da intenção do governo chinês de matar sistematicamente os uigures", assegura.

Mas o relatório diz que as esterilizações e o uso de anticoncepcionais forçados levantam "preocupações legítimas sobre a existência de uma tentativa de destruir biologicamente este grupo, no todo ou pelo menos substancialmente".

O documento ressalta ainda que não há dados verificáveis suficientes, em uma decisão deliberada da China de limitar as informações.

Citando relatórios anteriores, estima que entre um milhão e três milhões de pessoas - a maioria uigures - estão detidas em Xinjiang por uma política que busca assimilá-los à força na cultura dominante da China e proibir as práticas islâmicas.

A China rejeita as acusações e diz que lhes oferece treinamento vocacional para reduzir o risco de extremismo islâmico, após ataques atribuídos a militantes uigures.

O ex-secretário de Estado americano Mike Pompeo chamou - em seu último dia de mandato em janeiro - o que aconteceu aos uigures de genocídio.

Seu sucessor, Antony Blinken, disse que concorda com essa afirmação, e parlamentos em vários países ocidentais já aprovaram moções para declarar que a China está cometendo genocídio.

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