China promove seu embaixador nos EUA, Qin Gang, a ministro das Relações Exteriores

Novo ministro das Relações Exteriores da China

Por Yew Lun Tian e Michael Martina

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - A China nomeou Qin Gang, seu embaixador nos Estados Unidos e assessor de confiança do presidente Xi Jinping, como seu novo ministro das Relações Exteriores, conforme Pequim e Washington buscam estabilizar suas relações.

Qin, de 56 anos, substitui Wang Yi, que foi ministro das Relações Exteriores na última década. Wang, de 69 anos, foi promovido ao politburo do Partido Comunista Chinês em outubro e espera-se que desempenhe um papel maior na política externa chinesa.

Ao resolver desafios comuns a toda a humanidade, a diplomacia da China oferecerá "sabedoria chinesa, iniciativas chinesas e força chinesa", disse Qin em seus primeiros comentários como ministro das Relações Exteriores em um comunicado publicado no site de seu ministério.

Embora Qin tenha soado otimista sobre as relações EUA-China durante seu período relativamente breve de 17 meses como embaixador em Washington --seu antecessor ocupou o cargo por oito anos--, seu mandato coincidiu com a deterioração dos laços entre as duas superpotências.

Qin ascendeu rapidamente em vários cargos no Ministério das Relações Exteriores da China, incluindo duas passagens como porta-voz do ministério entre 2006 e 2014 e como oficial chefe de protocolo entre 2014 e 2018, supervisionando muitas das interações de Xi com líderes estrangeiros.

Como porta-voz, ele se destacou entre seus pares por ser um dos primeiros diplomatas chineses a fazer comentários contundentes em defesa da política externa cada vez mais assertiva da China, o que mais tarde ficou conhecido como diplomacia do "lobo guerreiro".

Mas ele também demonstrou disposição para trabalhar com os Estados Unidos, declarando em sua chegada a Washington em julho de 2021, após um incomum período público ácido entre altos funcionários dos EUA e da China, que as relações apresentavam "grandes oportunidades e potencial."

Xi e o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeram uma comunicação mais frequente durante as negociações de meados de novembro com o objetivo de evitar uma nova Guerra Fria entre seus países, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, deve visitar a China no início de 2023.

O coordenador do Indo-Pacífico da Casa Branca, Kurt Campbell, disse que a China quer relações estáveis com os Estados Unidos no curto prazo, à medida que enfrenta desafios econômicos domésticos e recua em suas políticas na Ásia.

Em um ensaio publicado na revista bimestral norte-americana The National Interest esta semana, Qin deu uma visão geral da posição da China em política externa e reiterou que as relações China-EUA não são um "jogo de soma zero", com um lado ganhando às custas do outro.

(Reportagem de Yew Lun Tian e Michael Martina)