China reúne seus deputados e deve cantar vitória contra coronavírus

Por Jing Xuan TENG, Patrick BAERT
Três mil membros do parlamento chinês no hemiciclo em 12 de março de 2019

Os 3.000 deputados da Assembleia Popular Nacional (ANP) se reunirão a partir desta sexta-feira para a grande sessão anual em que será comemorado o fim da nova epidemia de coronavírus, que eclodiu em dezembro, e a figura do presidente Xi Jinping será destacada.

No poder há sete anos, o principal líder chinês enfrenta a crise mais séria em seu governo, acusado de ter reagido tarde ao aparecimento do coronavírus no final de 2019, que se espalhou para o resto do mundo, causando mais de 320.000 mortes e um catástrofe econômica global.

Com o declínio da pandemia em seu território, Pequim tenta passar a imagem de vencedora contra a COVID-19, em comparação com os países ocidentais, mal preparados desde o início e onde a doença continua causando estragos.

No ato solene do Palácio do Povo, sede do parlamento chinês em Pequim, o regime marcará um ponto em sua guerra ideológica com o Ocidente.

A sessão "proporcionará a Xi Jinping a oportunidade de proclamar a vitória total na 'guerra do povo' contra o vírus", disse a cientista política Diana Fu, da Universidade de Toronto, Canadá.

Pela primeira vez desde a era maoísta, Pequim adiou a sessão parlamentar que deveria ter começado em março, como manda a tradição.

O encontro durará uma semana, em vez das duas usuais. Sinais de que a epidemia não acabou: será realizada a portas fechadas e a imprensa acompanhará a reunião virtualmente.

Os poucos jornalistas autorizados a estarem presentes terão que passar no teste de triagem e ficar em confinamento até que o resultado seja conhecido.

O país, fechado para visitantes estrangeiros desde o final de março, teme uma segunda onda epidêmica, pois novos casos surgiram nas últimas semanas.

- Incerteza econômica -

O primeiro dia, tradicionalmente dedicado ao discurso do primeiro-ministro Li Keqiang, deve se concentrar na economia, uma vez que houve uma queda acentuada no PIB (-6,8%) no trimestre.

No entanto, diante do desastre econômico global, que afeta as exportações da gigante asiática, Li pode se abster de anunciar uma meta de crescimento.

Alguns especialistas acreditam que a meta será de crescimento limitado à segunda metade do ano atual ou por dois anos (por exemplo: 10% para 2020-2021). As medidas de apoio anunciadas por Pequim desde janeiro representam apenas 1,5% do PIB.

Diante da emergência, a ANP poderia autorizar o governo a evitar o déficit orçamentário, optando por um empréstimo especial, segundo o jornal Global Times.

Analistas citados pelo jornal inglês acreditam que a relação déficit/PIB pode aumentar para 8%, contra 2,8% no ano passado.

Está claro que Pequim tenta relançar o plano de macrorrecuperação lançado após a crise financeira de 2008 (13% do PIB).

Como a legitimidade do regime depende em grande parte do crescimento, a taxa de desemprego é muito preocupante. Por isso, soluções devem ser apresentadas depois que a taxa atingiu 6,2% nas áreas urbanas em fevereiro.