China reage a avião militar americano em Taiwan com exercício de invasão

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em resposta à primeira visita de um avião militar americano a Taiwan desde 1999, a China fez um exercício de desembarque anfíbio próximo à ilha, que considera uma província rebelde pertencente à ditadura comunista.

Segundo o Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular disse em sua conta na rede WeChat, o treinamento incluiu o desembarque de blindados em uma área ao sul de Fujian, região que fica do outro lado do estreito de Taiwan.

A postagem ocorreu na terça (8), dois dias depois de os EUA fazerem o que o Ministério das Relações Exteriores chinês classificou de grande provocação.

Um avião gigante de transporte C-17, o principal instrumento de aeromobilidade militar dos EUA, pousou em Taiwan. Ele não trazia, contudo, tanques ou mísseis, e sim 750 mil doses de vacinas para Covid-19 em apoio ao combate à pandemia em Taipei.

Além disso, dois senadores americanos representando o governo de Joe Biden.

Comentaristas chineses não questionaram tanto o auxílio, mas sim a presença de políticos e principalmente, do grandalhão cargueiro da Boeing. Desde 1999, quando uma operação de socorro foi montada após um terremoto na ilha, nenhuma aeronave militar americana pousava por lá.

As tensões entre Pequim e Taipé cresceram muito durante a presidência de Donald Trump nos EUA (2017-21), quando Washington estreitou os laços com o governo da ilha, lhe vendeu armas e enviou altos funcionários para visitas pela primeira vez desde que estabeleceu laços com a China em 1979.

Os americanos, ao reconhecer Pequim, tacitamente aprovam seu pleito sobre Taiwan. Tanto é assim que a ilha não é reconhecida como independente.

Mas desde o reconhecimento, devido aos laços entre os governos anticomunistas locais e Washington, foi estabelecida uma relação político-militar próxima, na qual os EUA se comprometem a defender Taiwan de uma invasão que a China diz não desconsiderar.

Isso tornou a região altamente sensível, e por anos os EUA buscaram algum equilíbrio. Isso foi até Trump, que pendeu a balança em favor de Taipé em nome de sua Guerra Fria 2.0 com os chineses. O governo Biden, como se vê até aqui, tem dobrado a aposta.

Há algumas sutilezas, contudo. O democrata tem usado congressistas da ativa e aposentados para representar os EUA nas visitas, evitando provocar Pequim como Trump, que enviou até um secretário de seu governo, gerando uma reação militar chinesa com intrusão de aviões de caça.

A prática se tornou constante, aliás, e este ano viu as maiores incursões de aviões militares chineses, testando a rapidez de defesa do espaço aéreo taiwanês.

Já o exercício de invasão anfíbia é um recado ainda mais óbvio, embora haja sérias dúvidas entre analistas se a China invadiria de fato, ao menos no futuro próximo.

O primeiro problema é que Taiwan é muito bem defendida, e talvez precise ser obliterada para ser conquistada, o que não é exatamente uma política inteligente de absorção de população.

O segundo, óbvio, é o risco de uma escalada que leve a uma guerra com forças norte-americanas e, provavelmente, japonesas que viriam em resgate a Taipé. Esse cálculo é feito dos dois lados, já que há dúvidas sobre o real comprometimento militar de Washington.

Há outras apostas. Pequim poderia anexar alguma das ilhotas que Taiwan controla no mar do Sul da China, outra região de alta tensão no Indo-Pacífico, onde navios de guerra americanos e forças aeronavais chinesas têm se desafiado em exercícios militares cada vez mais frequentes.

A simulação desta terça pode ter servido inclusive para lembrar os taiwaneses desse risco, bem menos grave em termos de escalada para Pequim do que um assalto à ilha.

A tensão na região tem se ampliado a vizinhos. Após o governo filipino se estranhar com Pequim devido ao aumento de navios da ditadura em torno de ilhas disputadas, na semana passada a Malásia protestou contra a presença de 16 aviões de transporte militar chineses perto de seu espaço aéreo.

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