China recorda guerra da Coreia com pensamento voltado para os EUA

Patrick BAERT
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O presidente chinês, Xi Jinping, é aplaudido ao chegar ao Grande Palácio do Povo em Pequim
O presidente chinês, Xi Jinping, é aplaudido ao chegar ao Grande Palácio do Povo em Pequim

O presidente chinês, Xi Jinping, recordou em uma cerimônia solene nesta sexta-feira (23) o 70º aniversário da guerra da Coreia (1950-53), uma oportunidade para celebrar uma "vitória" contra os Estados Unidos em um momento de crescente tensão com Washington.

De acordo com o balanço chinês, quase 200.000 soldados enviados por Pequim para lutar ao lado da Coreia do Norte morreram no conflito contra a coalizão internacional, principalmente americana, aliada da Coreia do Sul.

Em um momento de crise nas relações de seu país com os Estados Unidos de Donald Trump, o presidente chinês aproveitou a oportunidade para fazer uma advertência a qualquer invasor potencial durante o evento no Palácio do Povo em Pequim.

"Após um combate feroz, as tropas chinesas e coreanas venceram adversários armados até os dentes e quebraram o mito da invencibilidade do Exército americano", afirmou, sob os aplausos de milhares de militares e ex-combatentes de uniforme.

Setenta anos depois, além da rivalidade comercial, diplomática e tecnológica, China e Estados Unidos também têm um embate militar no Mar da China meridional, uma zona reivindicada por Pequim e onde a Marinha americana organiza missões de defesa da "liberdade de navegação".

"Nunca permaneceremos de braços cruzados quando nossa soberania estiver ameaçada e não permitiremos nunca a nenhum exército que invada, ou divida, nosso país", advertiu Xi Jinping.

Uma referência à ilha de Taiwan, reivindicada há sete décadas pelo regime comunista e que compra armas do governo dos Estados Unidos.

Pequim nunca renunciou à possibilidade de retomar a ilha pela força, caso esta proclame formalmente a independência.

- Uma mensagem sem ambiguidade -

O conflito coreano foi o primeiro, e até agora o único, em que os exércitos da China e dos Estados Unidos se enfrentaram diretamente em um combate em grande escala.

Com o retorno das cinzas dos soldados mortos, uma exposição gigante, um filme e até um desenho animado, a China não poupou esforços para recordar o 70º aniversário de sua intervenção de outubro de 1950.

A televisão exibe uma grande quantidade de propaganda, imagens de arquivo e entrevistas com ex-combatentes.

"É necessário ver uma mensagem diretamente direcionada aos Estados Unidos, aqui não há ambiguidade", afirma Alice Ekman, analista para a Ásia do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia.

Ela destaca que, na China, o conflito é conhecido com o nome "Guerra de resistência à agressão americana e de ajuda a Coreia", termos que apagam o fato de que as hostilidades foram iniciadas pela Coreia do Norte.

Desde a trégua de 1953, a China permanece como a aliada mais próxima da Coreia do Norte.

O líder norte-coreano Kim Jong-un prestou homenagem aos soldados chineses que salvaram seu país da derrota, informou a imprensa estatal de Pyongyang. 

Kim mandou depositar flores no túmulo na Coreia do Norte de Mao Anying, filho do líder chinês Mao Tsé-Tung, que faleceu durante o conflito.

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