China responde Eduardo e diz que quem ataca povo chinês dá 'tiro no pé'

RICARDO DELLA COLETTA
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.11.2019 - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) durante discussão com representantes do setor de telecomunicações sobre a tecnologia 5G, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress) )

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A embaixada da China no Brasil voltou a criticar (nesta quinta-feira (19) o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e disse que "quem insiste em atacar e humilhar o povo chinês acaba sendo dando um tiro no seu próprio pé".

"São absurdas e preconceituosas as suas palavras, além de ser irresponsáveis. Não vale a pena refutá-las. Aconselhamos que busque informações científicas e confiáveis nas fontes sérias como a OMS, úteis para ampliar a sua visão", escreveu no Twitter a missão diplomática.

"Os seus argumentos mostram que você não está arrependido pela sua atitude, tampouco ciente dos seus erros. Ao continuar a optar por ficar no lado oposto ao povo chinês, está indo cada vez mais longe no caminho errado", acrescentou.

Desde a quarta (18) Eduardo e o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, tem protagonizado uma troca de acusações nas redes sociais, desde que o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escreveu em suas redes que o governo chinês é culpado pela pandemia do Covid-19.

Como resposta, as autoridades chinesas classificaram na quarta como "insulto maléfico" as declarações do deputado e disseram que ele voltou com um "vírus mental" da viagem aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump em seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida.

O incidente diplomático aberto por Eduardo fez com que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pedissem desculpas pela fala do parlamentar. O chanceler Ernesto Araújo, por sua vez, disse que as falas de Eduardo não refletem a opinião do governo brasileiro. Mas cobrou um pedido de retratação por parte de Yang por o que considerou ofensas ao presidente Bolsonaro - a embaixada avaliou a manifestação do ministro como insatisfatória.

Em resposta, Eduardo disse nesta quinta que nunca quis ofender o povo chinês, mas manteve as críticas ao regime e afirmou que o embaixador Yang não rebateu seus argumentos.

"Não identifiquei qualquer desconstrução dos meus argumentos por parte do embaixador chinês no Brasil. Este apenas demonstrou irritação com meu post e direcionou erroneamente suas energias no compartilhamento de posts ofensivos à honra de minha família - este sim um fato grave e desproporcional."

Diante das novas declarações do deputado federal, a conta no Twitter da embaixada da China soltou uma nova leva de mensagens na noite desta quinta.

"Sob a liderança do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil está combatendo a epidemia do coronavírus. Como deputado federal, ao invés de contribuir devidamente para esse combate, você tem gastado tempo e energia para atacar deliberadamente a China e espalhar boatos", escreveram os diplomatas do país asiático.

"Você afirma que foi eleito pelo povo, mas fica a pergunta: será que está cumprindo os seus deveres como deputado? Será que merece a confiança daqueles que votaram em si?", concluíram.