China retira licença profissional de outro advogado ativista de Hong Kong

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O advogado Ren Quanniu em 28 de dezembro de 2020 em Xangai

Um segundo advogado chinês de direitos humanos que defende um dos 12 ativistas pró-democracia de Hong Kong acusados de deixar ilegalmente o território anunciou nesta terça-feira (2) que as autoridades revogaram sua licença profissional.

Ren Quanniu mostrou à AFP um documento do Departamento de Justiça de Henan, uma província na China central, revogando seu direito de exercer a advocacia.

Outro advogado, Lu Siwei, que também estava trabalhando no caso "Os doze de Hong Kong", perdeu sua licença profissional em janeiro.

Em Washington, o Departamento de Estado disse que os Estados Unidos estavam "profundamente preocupados" com a situação. "Pedimos a Pequim que respeite os direitos humanos e o Estado de Direito e devolva imediatamente suas licenças", escreveu o porta-voz Ned Price no Twitter.

Os doze ativistas pró-democracia foram detidos no mar pela guarda costeira chinesa em 23 de agosto enquanto tentavam fugir do território para Taiwan.

Em junho, a China impôs uma lei de segurança nacional em Hong Kong que lhe dá jurisdição na cidade para alguns crimes e dá às suas forças de segurança a capacidade de agir abertamente.

Alguns dos passageiros do navio estão ameaçados de processo em Hong Kong por sua participação nos protestos pró-democracia massivos que ocorreram na cidade em 2019.

Em setembro, os dois advogados tiveram negado o acesso para se reunirem com os réus na China continental.

No final de dezembro, um tribunal chinês condenou 10 dos 12 ativistas a até três anos de prisão por terem cruzado a fronteira ilegalmente. Dias depois, as autoridades advertiram os dois advogados que suas licenças seriam revogadas.

Ren Quanniu recebeu a notificação após uma audiência na última sexta-feira em Henan relacionada a um caso de 2018 no qual ele representou um membro do Falun Gong, um grupo religioso proibido na China continental.

As autoridades consideraram que o advogado "perturbou a ordem normal do processo judicial", "deteriorou gravemente a imagem da atividade jurídica" e "causou um impacto negativo na sociedade".

Ren Quanniu disse à AFP que as acusações eram "infundadas".

"Se minha licença puder ser revogada nessas circunstâncias, acho que o sistema jurídico chinês está morto", criticou.

Os dois advogados acreditam que a revogação de seus direitos profissionais se deve ao fato de terem defendidos os "Doze de Hong Kong".

“Os ativistas perseguidos e aqueles que criticam o governo hoje têm poucas chances de encontrar advogados para defender seus direitos”, estimou a ONG Chinese Human Rights Defenders.

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