Trump não se reunirá com Raúl Castro durante Cúpula das Américas

Washington, 5 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não prevê manter nenhum contato com seu colega de Cuba, Raúl Castro, durante a Cúpula das Américas em Lima que será realizada na semana que vem, e a Casa Branca acredita que o líder venezuelano, Nicolás Maduro, não manterá seu plano de viajar para o Peru para a reunião regional.

"Não esperamos neste momento uma reunião direta entre o presidente Trump e Castro", disse hoje um alto funcionário americano, que pediu anonimato, em entrevista coletiva telefônica.

Cuba não confirmou ainda quem integrará sua delegação para a Cúpula das Américas, que será realizada entre os dias 13 e 14 de abril em Lima, mas se Castro finalmente comparecer, será sua despedida da região, dado que deixará o poder dias depois.

A Casa Branca não confirmou ainda quais reuniões bilaterais Trump manterá durante a visita a Lima no final da próxima semana, mas espera-se que tenha "vários" encontros com "sólidos aliados regionais" dos Estados Unidos, segundo o citado funcionário.

Uma das grandes prioridades de Trump na reunião será a resposta regional à crise na Venezuela, e a Casa Branca não está preocupada com a insistência de Maduro de comparecer à Cúpula, apesar de o Governo peruano ter retirado o convite ao venezuelano.

"A nossa expectativa é que o presidente Maduro não comparecerá. Esse será um bom sinal de que a região leva a sério o conceito de se concentrar na governabilidade e na democracia", afirmou o funcionário.

Trump não deve anunciar mais sanções à Venezuela na Cúpula, segundo a fonte, mas os Estados Unidos preveem dar "mais passos nos próximos meses para punir Maduro e os que o rodeiam por corrupção".

"A situação na Venezuela não é sustentável, e é uma afronta à região e ao mundo", afirmou o funcionário, que disse que o continente "está fazendo o que pode para seguir a liderança dos EUA" em sua resposta a Maduro.

Trump passará "entre um dia e meio ou dois" em Lima e assistirá a "todos os grandes atos" da reunião de chefes de Estado e Governo da Cúpula, mas a Casa Branca ainda não revelou se participará da reunião de empresários que será realizada entre os dias 12 e 13.

O presidente viajará acompanhado de sua filha e assessora, Ivanka Trump, cujo objetivo é destacar em Lima "temas de empoderamento econômico da mulher na região", além de pelo subsecretário de Estado dos EUA, John Sullivan, dado que Washington não tem atualmente um titular de Relações Exteriores confirmados no posto.

Também viajarão para Lima o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, e o encarregado da Agência Americana para o Desenvolvimento (Usaid), Mark Green, e é possível que também compareça o representante de Comércio Exterior (USTR), Robert Lighthizer.

Mas a Casa Branca não espera por enquanto que haja "conversas substanciais" sobre o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) com o México e o Canadá durante a Cúpula, segundo a fonte.

Após a visita a Lima, Trump viajará para Bogotá para se reunir com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, com quem falará sobre "os valores compartilhados, temas de segurança" e a insistência dos EUA de que o comércio com a região deve ser "justo e recíproco", um tema que também destacará em Lima. EFE