China suspende viagens em grupo em tentativa de impedir a propagação de vírus, diz mídia estatal

O Globo, com agências internacionais

PEQUIM - A Chinasuspenderá todas as excursões em grupo, tanto no país como no exterior, a partir desta segunda-feira, informou a CCTV estatal neste sábado, enquanto o país tenta impedir a propagação de um novo coronavírus.

A reportagem, citando um anúncio da associação da indústria de turismo da China, disse que as excursões em grupo na China já haviam sido interrompidas desde sexta-feira. As férias do Ano Novo Lunar da China, durante as quais milhões de viagens são geralmente feitas no país e no exterior, começaram na sexta-feira.

Até o momento, o vírus já matou 41 pessoas na China e infectou 1.372, de acordo com informações do governo chinês. A Austrália confirmou, também neste sábado, seus quatro primeiros casos da doença. A Malásia identificou três ocorrências, ao passo que a França já havia relatado os primeiros casos na Europa na sexta-feira. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é uma emergência na China, mas "ainda é cedo" para decretar estado de emergência global. A maioria dos casos está concentrada em Wuhan, de onde o vírus teria começado a se propagar no final do ano passado.

Em uma reunião do Partido Comunista sobre o tema, o presidente chinês Xi Jinping declarou que a epidemia "está se acelerando" e põe a China "em uma situação grave", mas afirmou que o país pode "vencer a batalha" contra o vírus.

— Enquanto tivermos confiança, vamos trabalhar juntos para que haja prevenção e cura científicas, além de políticas concretas. Certamente, seremos capazes de vencer a batalha —- disse ele, de acordo com a agência estatal de notícias Xinhua.

Em Pequim, as autoridades também anunciaram que vão proibir a entrada e a saída de ônibus da capital a partir deste domingo. Segundo o Diário do Povo, "todos os transportes rodoviários de passageiros" que atravessam Pequim serão suspensos, como medida "para a prevenção e controle da epidemia". A capital se une assim às medidas de isolamento adotadas por outras cidades do país asiático para tentar conter a disseminação do vírus.

A líder executiva de Hong Kong, Carrie Lam, declarou neste sábado uma emergência no centro financeiro asiático, com cinco casos confirmados, interrompendo imediatamente as visitas oficiais à China continental e suspendendo as celebrações oficiais do Ano Novo Lunar.

Os voos de entrada e saída e as viagens de trem de alta velocidade entre Hong Kong e Wuhan, o epicentro do surto, também serão suspensos e as escolas, agora no feriado do Ano Novo Lunar, permanecerão fechadas até 17 de fevereiro.

Os veículos que transportam suprimentos de emergência e equipes médicas para Wuhan estão isentos de pedágios e vão receber prioridade no trânsito, informou o Ministério dos Transportes da China neste sábado.

Wuhan disse que proibiria veículos não essenciais do centro da cidade a partir de domingo para controlar a propagação do vírus, paralisando ainda mais uma cidade de 11 milhões de pessoas que estão em confinamento virtual desde quinta-feira, com quase todos os voos cancelados e postos de controle bloqueando as principais vias de acesso à cidade.

Autoridades impuseram restrições de transporte a quase toda a província de Hubei, que tem uma população de 59 milhões.

Em Pequim, neste sábado, trabalhadores em trajes de proteção brancos verificaram a temperatura dos passageiros entrando no metrô na estação ferroviária central, enquanto alguns serviços de trem na região do delta do rio Yangtze, no leste da China, foram suspensos, disse a operadora ferroviária local.

O vírus também foi detectado na Tailândia, Vietnã, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Nepal e Estados Unidos. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disseram na sexta-feira que tinham 63 pacientes sob investigação, com dois casos confirmados.