China tenta retomar a vida normal aos poucos

Por Ye QIAN y Dan MARTIN
Passageiros em ônibus de Xangai em 17 de março de 2020

A China, onde o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez em dezembro, tenta recuperar aos poucos a vida normal normal, como demonstram as cada vez mais numerosas aposentadas que voltaram a frequentar os parques para aulas de dança, mas de máscara e mantendo uma distância segura.

Os dados mais recentes indicam que o número de novas contaminações é próximo a zero, enquanto a Europa se tornou o epicentro da epidemia, com medidas rígidas de confinamento em muitos países.

Fora da província de Hubei, o epicentro da pandemia, a circulação aumenta um pouco mais a cada dia nas grandes cidades. As lojas, fechadas durante quase dois meses, voltaram a abrir as portas.

Mas o retorno à normalidade ainda está distante. A grande maioria dos habitantes continua usando máscara, a temperatura dos cidadãos é medida antes de entrar em um supermercado ou em um restaurante, onde está proibido sentar frente a frente.

Apesar da persistência do medo do contágio, em Pequim várias aposentadas voltaram a frequentar os parques para aulas de dança em grupo, uma atividade muito popular na China.

"Durante a epidemia todos estavam com muito medo. Agora temos que relaxar", explica Wang Huixian, de 57 anos, de máscara.

"Somos prudentes e observamos a distância para evitar qualquer risco de contágio", completa Wang, enquanto dança a uma distância de três metros das colegas de aula.

- Discoteca virtual -

Em Xangai, os cafés e algumas atrações turísticas voltaram a abrir as portas. Os moradores da capital econômica da China praticam "tai chi" e outros tiram fotos no Bund, a célebre avenida com edifícios 'art déco'.

"Fiquei com muito medo", declara Zhang Min, empresário de 50 anos, em um parque. "Agora está tudo bem. Não como nos outros países, onde as pessoas atacam os supermercados".

Com quase 81.000 contaminações e mais de 3.200 mortes, a China continua sendo o país mais afetado pelo vírus.

Mas agora o balanço é superior no resto do mundo e na semana passada o presidente Xi Jinping declarou que a epidemia estava "praticamente contida".

"Tenho a impressão de que as pessoas contaminadas não podem sair e as que podem não estão doentes. Por isso estou tranquila", disse Lai Jinfeng, funcionária de uma creche, de 41 anos.

Mas os hábitos mudaram: as pessoas ainda não apertam as mãos e muitos cafés e restaurantes retiraram metade das cadeiras para que os clientes não sentem muito perto.

Como forma de distração nas longas noites em casa, as casas noturnas criaram a "discoteca virtual", que permite ouvir uma apresentação dos DJs preferidos.

Taxx, um dos clubes mais famosos de Xangai, afirma que milhares de pessoas se conectam a cada noite no serviço.

"Se levarmos um pouco de alegria para as pessoas que estão entediadas em casa, vale a pena", disse MC Charlz, um dos DJs da Taxx, ao jornal The Paper.

A maquiagem também se adapta aos novos tempos e as 'influencers' das redes sociais ensinam a milhões de seguidores como aplicar maquiagem apenas na parte superior do rosto, sem tocar na máscara.

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