China vislumbra retorno à normalidade

Por Patrick BAERT
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Funcionários limpam hospital temporário em Wuhan

O fechamento de hospitais temporários e a reabertura do parque Disneyland e das lojas Ikea anunciam um retorno gradual da China à vida normal após um mês e meio de medidas restritas de confinamento para combater a epidemia do novo coronavírus.

No país onde a epidemia de COVID-19 surgiu no final de 2019, a propagação da doença diminuiu nas últimas semanas, enquanto continua a se expandir no resto do mundo.

Mas, embora medidas draconianas de restrição continuem em vigor e muitos moradores prefiram permanecer confinados em suas casas, o número de pedestres e carros nas ruas de Pequim aumenta a cada dia.

O tráfego na capital está longe de ser o habitual - o transporte público ainda está quase vazio - e há poucos que se aventuram pelas ruas sem máscara.

Mas, em Wuhan (centro), a cidade de 11 milhões de habitantes onde a epidemia apareceu, vários sinais apontam para um fim progressivo das medidas de quarentena impostas em 23 de janeiro.

O aeroporto da cidade anunciou nesta segunda-feira que alguns de seus funcionários haviam retornado ao trabalho, mas não especificou quando os voos serão retomados.

Os funcionários de todos os aeroportos da província de Hubei (cuja capital é Wuhan) foram chamados de volta ao trabalho desde quinta-feira.

Quatorze dos 16 hospitais de campanha abertos para os pacientes infectados com o coronavírus foram fechados, informou a agência Xinhua.

Nesses estabelecimentos - fábricas, instalações esportivas ou mesmo um parque de exposições -, milhares de pacientes foram atendidos. Os dois últimos devem ser fechados na terça-feira.

Mesmo assim, 19.000 pessoas permanecem hospitalizadas em todo o país por causa da epidemia. Em meados de fevereiro, somavam 58.000.

Uma autoridade do país disse na sexta-feira que o isolamento imposto a Hubei poderia terminar em breve.

"O dia que todos esperam pode não estar tão longe", disse Ding Xiangyang, vice-secretário geral do governo.

A AFP entrou em contato com alguns habitantes, impacientes em deixar suas casas, especialmente nos setores de Hubei, onde nenhum caso novo foi anunciado em semanas.

Na semana passada, uma importante autoridade do governo visitou Hubei e muitos vizinhos irritados a receberam com gritos e denunciando supostos problemas de escassez de produtos.

Em 20 de fevereiro, a província ordenou que as fábricas não retomassem suas atividades antes de 10 de março, mas alguns negócios essenciais, como supermercados e farmácias, continuaram operando.

Perto de Hubei, a província de Anhui (leste) anunciou que seus três últimos pacientes receberam alta, informou a agência Xinhua nesta segunda-feira.

E as escolas da província de Qinghai (noroeste) devem reabrir esta semana.

Em Xangai (leste), o complexo Disnelyland reabriu parcialmente nesta segunda-feira. O parque de diversões ainda está fechado, mas um "número limitado" de lojas, restaurantes e um hotel retomaram suas atividades, explicou o grupo americano.

Por outro lado, a gigante sueca de móveis Ikea anunciou neste fim de semana que mais da metade das suas 30 lojas na China reabriu suas portas.

A Comissão Nacional de Saúde registrou hoje 22 mortos e 40 novos casos em todo o país, o número mais baixo desde que os dados começaram a ser coletados em janeiro.

Até o momento, a epidemia do COVID-19 matou mais de 3.100 pessoas e infectou mais de 80.700 no país.