De chinelo de dedo, como manda o figurino, Martinho chega à Sapucaí para homenagem na Vila

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Martinho da Vila chegou à Marquês de Sapucaí por volta das 2h50m deste domingo para ser homenageado pela Unidos de Vila Isabel, última escola a se apresentar na segunda e última noite de desfiles do Grupo Especial em 2022. O artista, conhecido por esbanjar simplicidade, veste roupas na cor da escola do coração (camisa azul e bermuda branca) e, nos pés, um chinelo de dedo, acessório que quase nunca abandona — o hábito é até mencionado no samba-enredo que vai embalar o espetáculo no fim da noite.

Presidente de honra da Vila, Martinho foi recepcionado pela direção da agremiação e levado para um espaço administrado pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Por lá, sentou para conversar com Luiz Guimarães, vice-presidente da escola.

No desfile, Martinho será o protagonista da comissão de frente assinada pelo coreógrafo Márcio Moura: aparecerá sendo coroado, já no início da passagem da Vila. Em seguida, desfilará novamente em uma ala cujas fantasias foi autorizado a distribuir a amigos e familiares.

A coleção de grandes momentos na vida de Martinho será representada na Avenida pelo carnavalesco Edson Pereira. Para o abre-alas, por exemplo, ele optou por representar o Morro dos Macacos, berço da escola, numa das maiores alegorias que devem passar pela Sapucaí. Músicas de Martinho, seja para a branca e azul ou para canções de "meio de ano", estarão nas fantasias das alas.

— Apesar de contar a vida de Martinho, não é um enredo biográfico, porque a mostramos entrelaçada com a história da Vila — afirma Edson Pereira.

Um dos momentos de emoção, diz o carnavalesco, virá da ala das baianas. Elas vão representar "Iaiá do Cais Dourado", samba de Martinho para a Vila em 1969. A saia delas mostrará uma favela salpicada de pontos de luz — iluminação própria, com LED.

Antes da Vila, o público do Sambódromo carioca acompanhou apresentações de Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Inicialmente, Martinho da Vila ficou receoso de participar de um desfile que falasse sobre ele mesmo. "Pô, vou entrar na avenida pra cantar eu mesmo?", ele questionou para os filhos, quando recebeu a proposta da escola.

— Meu pai nunca gostou de aparecer muito, não - diz Mart'nalia, que vem fantasiada de sargento do Exército, profissão que o pai exerceu. — De início, ele realmente achou esquisito desfilar para homenagear a si mesmo. Ele achava que quem é homenageado tem que ver a coisa "de fora". Mas aí a gente sentou com os carnavalescos e com a direção da escola e convenceu ele a vir.

Martinho da Vila desfila na comissão de frente e também numa ala com amigos e familiares. Ele circulou pela concentração da escola, na Avenida Presidente Vargas, de chinelo e bermuda e cumprimentou os demais componentes da escola. A assessora que o acompanhava indicou que ele seguisse pelo caminho mais vazio da via, mas ele descumpriu a ordem. E foi cercado por foliões que o festejavam com gritos e pedidos de selfie.

— Confesso que o coração tá batendo mais forte — diz o bamba de 84 anos, que desfilará de chinelo, calçado que ele não larga do pé. — É assim que eu gosto de andar. Queria mesmo usar o meu chinelo de dedo, mas falaram que esse outro fica mais bonito. A verdade é que eu queria estar na arquibancada (risos).

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