Conservadores vencem eleições legislativas no Chipre

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El presidente chipriota Nicos Anastasiades vota en un colegio electoral de la ciudad costera de Limasol, en el sur de Chipre, el 30 de mayo de 2021, en una imagen difundida por el gobierno de la isla

O partido conservador Disy, do presidente Nicos Anastasiades, venceu neste domingo (30) as eleições gerais do Chipre, com 27% dos votos, segundo os resultados oficiais publicados à noite neste país da União Europeia (UE).

As eleições foram celebradas em meio a uma forte indignação pelo escândalo dos "passaportes dourados", um programa que concedia passaporte em troca de investimentos e que foi abolido por acusações de corrupção.

A extrema direita aproveitou este contexto e a preocupação com a imigração, outro tema delicado nesta ilha do Mediterrâneo oriental, para sair fortalecida das urnas.

O Partido Comunista Akel obteve 22% dos votos, enquanto o ultranacionalista Elam dobrou sua representação, passando de dois para quatro deputados, com 6,78% dos votos.

O partido Disy perdeu um assento e carece de maioria no Parlamento, o que obrigará o presidente Anastasiades a formar um governo minoritário.

A taxa de participação foi de 63,9%, menor do que a de 66,7% de 2016, informou o diretor do pleito, Costas Constaninou, que a considerou, no entanto, "satisfatória", levando-se em conta que as eleições foram celebradas em plena pandemia de covid-19.

As eleições foram celebradas em áreas controladas pelo governo, que exclui o terço norte da ilha, onde se instalou um Estado turco-cipriota dividido.

A ilha está dividida desde que o exército turco invadaiu o terço norte em 1974, em reação a uma tentativa de golpe de Estado para voltar a unir a ilha à Grécia. A autoproclamada República Turca do Norte do Chipre (RTNC) é conhecida apenas por Ancara.

"Há um eleitorado muito descontente, farto da elite política e do Parlamento", afirmou Hubert Fautsmann, professor de História e Ciência Política da Universidade de Nicósia. "O povo está farto da corrupção".

Em novembro, o Chipre abandonou seu controverso plano de passaportes por investimentos depois que uma reportagem da Al Jazeera mostrou jornalistas fazendo-se passar por intermediários de um empresário chinês que queria obter um passaporte cipriota, apesar de ter antecedentes criminais.

O Parlamento ficou no olho do furacão depois que seu presidente e um deputado da oposição foram filmados com uma câmera oculta tentando, supostamente, facilitar a concessão do passaporte ao investidor chinês. Ambos se demitiram.

O outro tema da campanha foi a imigração, especialmente delicado uma vez que o Chipre é o país com o maior número de demandantes de asilo por habitante na UE, segundo a agência europeia de estatísticas Eurostat.

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